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A Aia
(Eça De Queiroz)

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A Aia é uma espécie de conto tradicional com características de lenda pelo carácter intemporal e pelo misticismo que lhe está inerente, nomeadamente à personagem principal.
Num reino desconhecido, o rei parte com o seu exército em busca de conquista de novas terras e não mais volta, deixando viúva a rainha e órfão o príncipe bebé. Este é criado por uma serva da corte - cujo carácter profundamente místico e idealista será determinante no desfecho da narrativa - que ao mesmo tempo cria o seu filho da mesma idade. Cria e amamenta ambos com o mesmo amor e dedicação. O amor de mãe devido ao seu filho estende-se ao príncipe, reforçado pela lealdade aos seus senhores e ao seu reino. As razões de estado são de resto uma mola importante para o desenrolar dos acontecimentos.
A sucessão natural ao trono fica comprometida porque existe o habitual mau da fita: o tio ambicioso e cruel que deseja ser rei. Invade o castelo numa noite inquieta com os da sua horda, com o propósito de raptar o príncipe e lhe tirar a vida. O príncipe dorme na inocência do seu berço ricamente ornamentado ao lado do pequeno servo em berço modesto. A aia não hesita perante o terrível dilema. Troca os bebés em seus berços caracterizadores. O vilão sai do palácio com o servo. A leal ama acaba de entregar o filho à morte, salvaguardando a natural sucessão do trono.
O palácio amanhece com vivas à heroína que salvou o seu príncipe. A rainha não hesita perante a lealdade da sua aia e oferece-lhe a escolha do mais valioso tesouro da câmara real. Os momentos que antecedem a escolha são de um visualismo cinematográfico excepcional, marca do realismo vivo típico de Eça, criador de ambientes não apenas físicos, mas de forte pressão psicológica.
Mais do que uma atitude política e ética, aquela foi uma decisão de coração e de honra da parte da serva. O caminho até à câmara dos tesouros é lento e pesado. A expectativa é enorme e arrasta a turba, onde o leitor se mistura numa angústia colectiva a fazer lembrar um estádio no momento do penalty que decide o campeonato.
A recompensa é finalmente escolhida, bela, cravejada de pedras preciosas como o carácter da serva. O punhal é cravado no coração depois da tirada inesquecível:
- salvei o meu príncipe, agora vou dar de mamar ao meu filho.



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