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Ditadura Psíquica
(Marilena Teixeira Netto)

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A ditadura psíquica é aquela que não é expressa verbalmente, nem anunciada em letras garrafais nos outdoors. Ela é sorrateira, imperceptível, lenta, às vezes, irreconhecível, mas poderosa.Ela pode aparecer na forma de idéias, conceitos, mas aparece na forma concreta a partir daquilo que se vê ou se ouve.Uma idéia que se tornou tirana, ditatorial, foi em relação às mulheres. Idéia que se tornou uma imposição, foi a da mulher que TEM de trabalhar fora de casa. Que só com esse trabalho ela alcançará a realização pessoal, a auto-estima, a valorização, etc.A partir daí, veio como conseqüência, o preconceito para com quem não precisa e nem quer trabalhar fora de casa. Aquela que opta pelo trabalho do lar, do cuidado com os filhos, marido, etc. Ela é vista como “bicho estranho” nessa sociedade moderna que se vangloria da conquista do status da mulher executiva. Supostamente, ela se realiza por exercer tais actividades. Fica portanto a dúvida: trabalhar fora actualmente é escolha ou imposição?As actividades colocadas aos filhos de inglês, natação, judô, violão, onde a criança se perde e se sente pressionada a se engajar em tudo isso. Na maioria das vezes, isto a torna agitada, ansiosa e frustrada, pois não consegue corresponder à tantas exigências.Actividades essas onde a criança TEM que estar preparada em várias áreas, pois só assim poderá entrar num mundo competitivo.O equilíbrio emocional não é levado em conta, sendo este o mais importante de todos. Aquele que se “atira” em tantas actividades, logicamente tem sua parcela de sofrimento e desgaste, mesmo sendo criança. Aquele que está mais bem equilibrado emocionalmente, estará mais preparado para enfrentar as exigências da vida pessoal e profissional.No entanto, pensar em manter essas crianças com apenas 1 ou 2 atividades diferenciadas, é excluí-las desse mundo moderno. O “ter” talvez seja a maior ditadura de todas. Você só é feliz se TEM. Nesse item TER pode ser: a casa na praia, o carro do ano, a roupa da moda, o prestígio, o poder, a viagem do fim de ano, etc… Talvez, possa parecer de pouca importância quando se trata da viagem do fim de ano, ou mesmo, do feriado. Mas é comum se perguntar: “Para onde VOCÊ vai viajar neste feriado?” Como me disse uma amiga: Fiquei mal com esta pergunta, porque na verdade, eu não tinha nem condições de viajar. E, eu era a única daquele grupo, a ficar na cidade. Tentei buscar rapidamente alguma alternativa, pois era “praxe” sair nos feriados. Então, atazanei meu marido para procurar algum lugar, só para não ser diferente. Só depois, eu percebi que eu estava sendo levada pela idéia costumeira de viajar nos feriados. São idéias tão subtis que fica difícil nós percebermos o quanto elas nos impregnam. Nosso século está mais para o “ACHAMOS”, do que realmente para o que “PRECISAMOS”. Mas nesse espaço, entre os conceitos, está a mola mestra do modernismo, da imposição que não nos deixa pensar individualmente. Pensamos hoje em “massa”. O conceito de “massa” pensa por nós, avalia por nós e decide por nós. Perdemos nosso poder de avaliação individual. O suposto “atendimento personalizado” também é massificado. Quando você passa na cancela, você ouve: “Bem-vindo ao shopping… boas compras e divirta-se…” ·Você percebe a associação subtil do divirta-se e compras?



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