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Esporte como fotor de inclusão social?!
(Renato Prata Biar)

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Escreva seu resumo aqui.. Esporte como fator de inclusão social?! Vivemos
uma época realmente difícil! E mais do que isso, cega e cínica. Sempre
que eu ouço falar ou leio algo que coloca o esporte como um fator
principal para incluir os socialmente excluídos, me vem sempre um
sentimento que mescla tristeza, raiva e indignação. Quero antecipar,
porém, que não sou contra o esporte. Muito pelo contrário, sou a favor
e pratico sempre que posso. Só não consigo entender como alguém pode
ser incluído socialmente praticando esporte e sem educação! As escolas
públicas, que é onde estuda a grande maioria da população de crianças e
jovens desse país, estão quase todas falidas nas suas estruturas
materiais e humanas, com prédios caindo aos pedaços e falta de
professores. No caso destes, ainda faltam também um melhor preparo e
melhores salários para que possam estar constantemente atualizados. Mas
os defensores do esporte como substituto da educação (esse é que
deveria ser o slogan, já que essa é a verdade que está por trás disso)
não devem estar muito preocupados com isso, pois por mais abandonada
que uma escola esteja, sempre tem um campinho para se jogar uma
bolinha. Sendo assim, o problema está resolvido. Às
vezes fico me perguntando se alguém como o físico Albert Einstein
nascesse hoje no Brasil e fosse de família pobre, o que lhe
aconteceria? Provavelmente, nós teríamos um ótimo atleta e
deixaríamos de conhecer um dos maiores cientistas de todos os tempos.
Quanta vantagem, hein! Quem sabe ele não seria um novo Guga, e nós
vibraríamos com suas paralelas; ou quem sabe até um novo Romário, e nós
viveríamos novamente toda aquela emoção, angústia e ansiedade pelo seu
milésimo gol! O máximo que poderíamos perder seria um cientista que,
simplesmente, mudou o mundo. Mas quem se importa com isso? Vivemos na
sociedade do espetáculo, onde o que importa são os gols, os pontos, as
braçadas, os saltos e, obviamente, a inclusão social através do
esporte, não podemos esquecer. A verdade, é que é muito mais fácil
manipular um grupo enorme de pessoas adestradas física e mentalmente,
do que manipular uma única pessoa que tenha uma capacidade de reflexão,
senso crítico e um alto grau de conhecimento. E isso, só quem
proporciona é o estudo de qualidade; e não o esporte. Mas
do ponto de vista do Mercado, esta entidade divinizada que nos comanda
e governa com sua mão invisível, não há porque e nem pra quê investir
na educação e na formação das crianças e adolescentes porque,
simplesmente, não haverá emprego para eles na arena do mercado de
trabalho. Isso vale, principalmente, para os filhos da pobreza e da
miséria que, por não terem condições de acompanhar as atualizações
técnicas, eletrônicas, em informática, etc., que são constantemente
exigidas em empregos públicos e privados, estão praticamente fora de
uma disputa realmente justa, sendo por isso considerados, para usar um
jargão do próprio Mercado, um mau investimento. Mas, por outro lado, é
muito perigoso deixar toda uma geração sem perspectiva de um futuro
imediato ou de longo prazo. Daí a crueldade que se faz com o esporte,
porque se coloca numa atividade que tem o objetivo de educar,
disciplinar e formar o corpo, a responsabilidade de educar, disciplinar
e formar a mente, a consciência cidadã. Por isso esse discurso que se
repete exaustivamente de que o esporte forma o cidadão quando, na
verdade, somente a educação através da escrita, da leitura, da sala de
aula, da arte, etc. tem essa capacidade de formar o morador da cidade,
aquele que participa da vida política, econômica e social de sua
comunidade e, conseqüentemente, de seu país. O esporte é um importante
fator coadjuvante nesse processo, mas nunca o principal. Provavelmente,
se os gregos da Antigüidade ouvissem um disparate tão grande como esse
do “esporte que forma o cidadão”, eles iriam rir de nós. Já que a
principal preocupação da Paidéia grega era a de formar cidadãos
conscientes da sua importância para a polis, no
sentido de que através de críticas e novas idéias eles ajudassem a
trazer soluções para os problemas de sua cidade participando da vida
política, além de também buscarem respostas para as inquietações e
dúvidas do espírito humano em relação ao sentido da vida. Talvez
isso nos ajude a explicar porque vivemos hoje numa sociedade tão vazia
de valores éticos e morais, de conceitos e de tradições. O grande
homem, o ídolo, não é mais aquele grande escritor, político, cientista,
guerreiro, etc.; mas sim, um jogador de futebol, um vencedor do Big
Brother, uma modelo de passarela, etc. Como disse uma vez a filósofa
Olgária Matos: “Os grandes homens são aqueles sem os quais o mundo não
seria o mesmo.” Homens e mulheres que têm a coragem e a capacidade de
mudar e transformar o mundo. É disso que necessitamos hoje, mas talvez
eles estejam ocupados demais com suas tarefas de superar marcas, fazer
gols, marcar pontos ou se preparando para a nova edição do Big Brother
Brasil. Um mundo cheio... de gente vazia. Renato Prata Biar;
historiador; Rio de Janeiro; RJ



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