Dom Casmurro
(Assis; Machado de)
Uma noite vindo da cidade para o Engenho Novo, um rapaz conhecido do bairro começou a recitar versos. Cansado Bentinho fechou os olhos algumas vezes, bastando para ele interromper a leitura e guardar os versos no bolso. Apesar de elogiado e pedido para que continuasse murmurou que havia acabado.
Dia seguinte entrou no trem dizendo nomes feios e acabou nomeando Bentinho de Dom Casmurro. Os vizinhos que não gostavam dos hábitos reclusos e calados deram curso à alcunha. Contou aos amigos a anedota, eles por graça o chamavam assim. Segundo o dicionário o sentido de Casmurro é “homem calado e metido consigo” enquanto que Dom “ironia para atribuir fidalguia” e por isso o título.
Aos quinze anos Bentinho escutou uma conversa, onde era falado a mãe, D. Glória que deveria encaminhá-lo ao seminário, pois estava ficando moço, andando muito com Capitu e poderia desvirtuar-se caso iniciassem namoro.
Bentinho nunca havia pensado em namoro, desde pequenino brincava com Capitu, estavam sempre juntos. Foi à casa vizinha e a encontrou rabiscando no muro o nome dos dois. Ficaram se olhando até que o pai dela os despertou.
Capitu era uma menina de quatorze anos muito esperta, conseguia achar respostas rápidas para questões inesperadas, às vezes deixava Bentinho em situação embaraçosa por não possuir a mesma agilidade.
Bentinho contou a Capitu a conversa ouvida, ela sugeriu que procurasse José Dias, um agregado que certamente ajudaria a dissuadir o interesse da mãe, no entanto fora ele quem lembrará o prometido quando engravidou.
D. Glória prometeu que se tivesse um filho homem o levaria a padre, pois em gestação anterior perdera o filho. Sempre lembrava as pessoas do convívio a tal promessa com objetivo de não esquecê-la.
Como o sugerido por Capitu, Bentinho pediu a José Dias intercessão no caso do seminário. José Dias demonstrou prontidão quando percebeu possibilidade em acompanhá-lo a Europa para estudar as Leis.
Bentinho não ficou entusiasmado com a idéia de ir a Europa, não queria ficar longe de Capitu, até imaginou o imperador ordenando D. Glória enviá-lo a Escola de Medicina Brasileira. Ao contar a Capitu, ela achou que qualquer coisa seria melhor que o seminário.
Em um dos encontros com Capitu, na sala a se pentear, Bentinho tomou o pente desembaraçou e trançou os longos cabelos, ao final beijaram-se, ficando os dois assustados principalmente quando a mãe, D. Fortunata entrou, a menina dissimulada logo arrumou uma desculpa.
Bentinho ficou com medo que alguém percebesse o ocorrido. Passou achar que era um homem por causa do beijo. Houve o segundo reforçando a capacidade de Capitu em dissimular em situações arriscadas.
Quando Bentinho foi para o seminário, ao despedir-se de Capitu prometeram esperar um pelo outro e se casarem. Capitu passou ser a companheira de D. Glória bordavam, rezavam e falavam de Bentinho.
Enquanto esteve no seminário conheceu Escobar, se tornaram amigos e confidentes. Ambos desejavam não concluir o curso, Escobar queria ser comerciante, enquanto que Bentinho ser marido de Capitu. No futuro Escobar casou-se com Sancha, a melhor amiga de Capitu.
José Dias visitava sempre Bentinho no seminário, levava notícias de casa e procurava acalmá-lo quanto ao desejo de retornar. Em certa data sugeriu irem a Itália pedir ao Papa perdão a promessa de D. Glória, e a liberdade do compromisso de ser padre.
Ao conversar com Escobar sobre a possível ida a Itália, este sugeriu que arrumasse outro que pudesse pagar a sua promessa, assim feito, Bentinho saiu do seminário e passou cinco anos estudando, retornando para casa advogado.
Casou-se com Capitu, união que agradou todos, inclusive José Dias, que outrora falara mal das atitudes da moça. Demoraram em ter filhos, viviam orando para que engravidasse.
Sempre que podiam as famílias de Escobar e Bentinho estavam juntas. Estes tinham uma filhinha que recebera o nome de Capitu em homenagem a amizade das mães.
Capitu acabou engravidando e dando a luz a um menino que recebeu o nome de Ezequiel, como pedido de desculpas a Escobar por não ser o padrinho. O menino fora crescendo e a amizade das duas famílias também, a ponto de acharem que poderia acontecer aos filhos o mesmo que a Capitu e Bentinho.
Escobar pensava propor a Bentinho uma viagem a Europa, mas não houve tempo para que acontecesse, pois Escobar morrerá afogado.
Bentinho era muito ciumento, mas Capitu era astuciosa e acalmava o coração do marido.
Após morte de Escobar iniciaram as desconfianças de Bentinho em relação à paternidade de Ezequiel, pelo fato de Capitu mencionar a semelhança dos olhos do menino aos do amigo morto.
Bentinho iniciou sua reclusão, pensou em matar-se, ou ao menino e a esposa. Enviou Ezequiel ao colégio interno para não ver a semelhança com o amigo. Resolveu por fim levar a família a Europa e os deixando por lá, mesmo recebendo as cartas saudosas de Capitu e do filho. De vez em quando ia a Europa, mas não os visitava, porém voltava ao Brasil dando notícias como se estivessem juntos. Aqui mantinha relacionamentos com mulheres, mas nunca amou a ninguém senão Capitu.
Capitu morreu e foi sepultada na Europa. Ezequiel voltou ao Brasil à procura do pai que o enxergou como Escobar com vestes modernas. Não o apresentou a ninguém que conhecerá o amigo, até porque a única viva era prima Justina no leito de morte. Ezequiel viajou ao Egito onde faleceu de febre tifóide, aliviando por fim o coração de Bentinho o Dom Casmurro.
Resumos Relacionados
- Resumo Do Livro Dom Casmurro, De Machado De Assis
- D.casmurro
- Dom Casmurro
- Dom Casmurro
- Dom Casmurro
|
|