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Da ILUSÃO PARA A LUZ
(Inajá Martins de Almeida)

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Da janela, oitavo andar, avisto a paisagem. Prédios esguios se levantam. Luzes cortam a escuridão da noite. No céu não se vêem os luzeiros, apenas grossas nuvens carregadas.
Há pouco, ventos fortes fizeram-se ouvir à distância e pesada chuva derramou sua ira nas calçadas, invadindo espaços transbordando o córrego, que margeia bairros e região central, da bela cidade interiorana paulista – "Califórnia brasileira".
Entretanto... Pessoas dormem seu sono de morte. Mal percebem o sucedido. Pior, ainda, o que está por vir.
Carros, céleres, cortam o cruzamento. Na academia, o som elevado, da música estonteante, invade lares, sem ao menos pedir licença.
No bar da esquina, pessoas à mesa, bebidas ao lado, risos frenéticos, vazios, inflamados, desconexos, não conseguem perceber os sinais que se apresentam.
Eu penso: Quanta asnice! Quanta ilusão!
Um carro acelerado passa desenfreado. Seu condutor, sem ao menos se aperceber, mantém exagerado som, que se faz ouvir a quarteirões de distância, quebrando o silêncio do avançado da hora.
Todos correm para a luz do mundo. Para o falso brilho que este proporciona.
É tarde. No silêncio interior, volto, então, meus pensamentos, para meu Criador.
Há tempo atrás o mundo também me fascinava. Olhava para o brilho das luzes da cidade sem, contudo, me dar conta, que uma luz maior, iluminava meu caminho.
Casa, carro, bom emprego, parentes, amigos. Tanto conhecimento adquirido... As luzes do palco, os aplausos.
Buscava, como tantos o estrelato, muito embora, não sendo artista dos palcos. Artista no cotidiano.
De repente, tudo se tornou ilusão. Nada mais fez sentido. A máscara caiu, descerrou o pano e tudo se tornou claro, como um dia de sol. A luz brilhou internamente, e fez nascer uma nova criatura.
Passei a olhar para a luz, aquela que me iluminava e me senti pequena, perante a imensidão do universo.
Da janela, então, enquanto vislumbrava uma paisagem breve, as poucas luzes cintilando, um pedacinho de céu, escuro sem estrelas, sem luar, bem o sabia, que fora ali, cenários vários se apresentavam a outras pessoas.
Busquei meu Salvador. Vislumbrei Seu sacrifício, Suas chicotadas, Suas mãos perfuradas.
Olhei para o madeiro no alto do monte. Enquanto seu corpo – na vertical – erguia-se para o Pai, Suas mãos estendidas – na horizontal – desejava abraçar toda a humanidade.
Revivi suas dores, os escárnios dos que olhavam e blasfemavam. Senti Suas lágrimas, Sua tristeza de morte. Ouvi o som de Sua voz perdoar o pecador e, o colocar a Seu lado, na morada infinita. Mais ainda, em meio a tanta dor, a generosidade do Seu Espírito Imaculado suplicar:
– Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.
Breve silêncio... Como Bom Filho, entregar seu Espírito ao Pai, ao emitir o último som:
– Está consumado.
Prostrei-me envergonhada, perante Seu imenso amor, ao mesmo tempo agradecida, por alcançar a luz do entendimento. Por ser alcançada pela luz do meu Redentor.
O mundo, lá fora, continua. O cenário é o mesmo. Nada mudou.
Carros, sons ensurdecedores, academias, bares, mesas depositadas nas calçadas, risos, falas inflamadas:
Futebol, seleção, novelas, carnaval, televisão, quanta religião.
Enfim... Quanto engano... Quanta ilusão...
Nada novo se apresenta apenas, aqui dentro, algo se transformou.
Olhei para a luz que brilha e que ilumina o artista. Não mais busquei ser artista, e sim ser a própria luz: ser o próprio brilho Daquele que emana a luz.
Antes, louca pela vida, pelos fugazes prazeres que ela pudesse me proporcionar, agora, depois desse encontro, real e verdadeiro, com Aquele que me deu a vida, que me mostrou o caminho...
Louca! Louca sim. Mas louca por Jesus!



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