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Essa tal felicidade
(Renato Prata Biar)

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Essa tal felicidade
Talvez o grande mal dessa sociedade hodierna esteja exatamente naquilo que ela pensa ser o objetivo maior e mais importante para sua respectiva existência: a busca desvairada pela tão almejada felicidade completa. Num período de transição como o que estamos vivendo, em que questões como tradição, moral, figura de autoridade e a família não têm mais um padrão a ser seguido e, portanto, não têm mais o poder de ditar limites; a intolerância, o desrespeito e a violência passam a ser caminhos legítimos, rápidos e eficazes para a realização dessa tal felicidade. Já que o individualismo é visto como o grande atalho a ser seguido.

Numa época em que a comunicação, o transporte de coisas e pessoas e a vida de uma forma geral está mais rápida, a exigência de que os nossos objetivos e sonhos se realizem na mesma velocidade é inevitável. A espera e a demora passam a causar impaciência, aflição e desespero. E essa busca por coisas e atitudes que nos tragam o prazer instantâneo, traz consigo uma não-busca por reflexões e introspecções, onde o conhecimento de si mesmo e da sociedade como um todo ficam relegados a uma perda de tempo e à falta de um sentido para a vida. Um ledo engano que acaba por consumir toda a nossa energia e tempo, numa interminável e desesperada busca por algo que não passa de uma grande ilusão: a felicidade completa. Como dizia Charlie Chaplin: “ A felicidade completa é algo que está muito próximo da tristeza.”

A dor, a tristeza, a angústia, as decepções, o desespero, as frustrações, etc., são todos partes integrantes e inseparáveis de nossas vidas. A questão de repudiar e temer esses sentimentos inexoráveis e inerentes à nossa própria existência, só comprova a nossa fraqueza e a nossa falta de um auto-conhecimento e de controle sobre os nossos instintos; além da ignorância e da miséria a que ainda estamos mergulhados e submetidos. Com isso, ficamos ainda mais vulneráveis e sensíveis a sucumbir aos engodos de que, se não estamos felizes e bem, deve haver algum remédio para isso; já que a ciência é aquilo que hoje substitui o papel de Deus na sociedade, nos prometendo curas, “milagres” e a garantia de uma vida feliz e saudável o tempo todo. Prova disso é que hoje não faltam as “soluções mágicas” para resolver nossos problemas: drogas lícitas e ilícitas que prometem disposição física e mental inesgotável, uma alegria permanente, rejuvenescimento, prolongamento do prazer sexual, etc. São drogas produzidas e vendidas como coisas capazes de curar esses sentimentos e sensações que se tornaram algo completamente indesejável, repugnante e inaceitável para os nossos novos padrões de uma vida feliz. E, caso essas “soluções” não funcionem com você, o problema não está no medicamento, mas em você mesmo, levando-o a um sentimento de culpa e de fracasso que o afunda ainda mais nessa arei movediça da busca pela felicidade completa. E é exatamente pelo fato dessa busca estar pautada pela vontade de conseguir manter-se num estado contínuo de êxtase e excitação (algo completamente impossível de ser mantido por longos períodos) que as pessoas acabam sendo empurradas para uma situação em que o fracasso dessa busca se transforma num lugar comum, onde a tristeza, a melancolia e o desencanto tomam proporções de epidemia. Não é por acaso que a depressão está sendo considerada como o mal do século XXI.

Somente o gosto pelo desafio e a vontade de buscar um conhecimento realmente crítico e profundo, que revele as contradições existentes em nós e em nossa forma de sociedade, é que pode nos levar a enxergar que o entendimento de tudo isso e a capacidade de superarmos e resolvermos os nossos problemas, também é uma fonte de alegria e de felicidade sendo que, nesse caso, uma felicidade muito mais gratificante e duradoura do que aquela que a pura concupiscência pode nos oferecer. A busca pura e simples pelos prazeres comuns como um fim em si mesmo, está reservada para os fracos de espírito, para aqueles que se conformam em desperdiçar o seu curto tempo fazendo parte de uma ordem que os impõe uma mecanização e uma sujeição típica das ovelhas de um rebanho.
Renato Prata Biar; historiador; Rio de Janeiro



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