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A Alquimia da Dor: Uma via para o sofrimento esclarecido
(Tsering Paldron)

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Uma das grandes virtudes da chamada globalização, processo que se começou a acentuar com a expansão marítima portuguesa de Quinhentos, há cerca de cinco séculos atrás e que atinge o seu auge actualmente, sobretudo por via tecnológica, será o de nos conhecermos melhor todos uns aos outros, membros desta imensa tribo chamada humanidade.

Tornou-se possível, entre outras coisas, o acesso a tradições e manifestações culturais longínquas e já ninguém vive (a não ser por opção pessoal) “orgulhosamente só” no seu cantinho, ignorante do resto do mundo para lá do fio do horizonte. Gutemberg deu o impulso decisivo à disseminação do conhecimento e a Internet trouxe a machadada final.

Um resultado foi a mundialização das principais tradições espirituais de todo o planeta. Hoje, nestes dias seculares e democráticos, é tão fácil para um europeu como para um indiano, o acesso à sabedoria budista, por exemplo. Quanto mais não seja, pela abundante literatura.

É o caso do livro deste mês, uma pérola precisamente de sabedoria budista chamada “A Alquimia da Dor” (editado em Portugal pela Pergaminho). Além de constituir uma interessante porta de entrada no fascinante universo do budismo tibetano, dos seus preceitos práticos e filosóficos, esta obra fala-nos sobretudo de sofrimento, das nossas incontornáveis dinâmicas de sofrimento e de formas de superar ou minimizar a dor e a angústia dentro de nós. Extremamente prático e “terra a terra”, “A Alquimia da Dor” não trata de profundas questões religioso-esotéricas ou de grandes teorias espirituais. É sobretudo um ensaio útil para todos, com inúmeros ensinamentos e conselhos para a vida quotidiana. A parte mais interessante é que não é preciso ser-se budista para perceber a importância e o bom-senso contidos nestes “conselhos budistas para transformar o sofrimento”, muito menos para os por em prática.

A autora, a monja budista natural de Lisboa Tsering Paldron, tem um excelente domínio da escrita e transmite as suas ideias de forma bastante acessível ao médio dos leitores. A chave para usufruir deste livro é uma mente-aberta e vontade de perceber como é que outras culturas espirituais, que não a católica predominante no nosso país, encaram e lidam com a questão, existencial e universal, do sofrimento e da dor.

«O mais urgente é compreendermos a realidade da nossa situação. O mundo em que vivemos está marcado pelo sofrimento. A nossa vida é amassada na dor e mesmo quando não temos a impressão de estar a sofrer, sentimos uma insatisfação existencial». Este é o primeiro passo da obra, a consciência da natureza omnipresente do sofrimento. O primeiro capítulo intitula-se, aliás, “Conhecer o sofrimento”. Depois, e como a visão budista da vida é realista e não é conformista, aprende-se a lidar com ele. Como? Abraçando-o!… O livro pretende, como sublinhou a autora em lançamento recente, «desfazer aquela aversão pronunciada pelo sofrimento, reconhecendo que ele tem qualidade».

Para Paldron, que tem outro livro editado pela Pergaminho, “A Arte da Vida”, «enquanto o nosso objectivo for o prazer a curto prazo e a nossa visão do mundo se limitar à sobrevivência, o sofrimento é inimigo mortal da felicidade e a nossa tolerância face a ele é nula. Mas se o objectivo da nossa vida for o aperfeiçoamento de uma atitude de nobreza de coração como fonte da verdadeira e suprema felicidade, então o conflito entre felicidade e dor desaparece, fundindo-se ambas num idêntico sabor».

O termo alquimia reside, por outro lado, no processo de transformação pessoal que a autora defende, mediante a via budista para a felicidade: «Assim, porque nos abre portas secretas e nos obriga a ultrapassar os nossos próprios limites, a grande alquimia do sofrimento reside no facto de, para o transformarmos, termos de nos deixar transformar por ele».

«Está na altura de declararmos guerra ao sofrimento, não só ao nosso mas ao de todos os seres, e o primeiro passo nesta luta passa por mudarmos de atitude em relação a este inimigo interior, o nosso espírito descontrolado. Se nos treinarmos, podemos dominá-lo e torná-lo num aliado precioso». “A Alquimia da Dor” é justamente isso, uma agradável e cativante declaração de combate ao sofrimento.



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