Domínios da História: História das Mulheres
(Raquel Soihet)
Brasil: história do Feminismo
Para as décadas de 1920-30, da atuação de mulheres como a médica Berta Lutz, o movimento organizado de mulheres desponta como objeto de estudos: seus alvos (acesso de mulheres a plena cidadania), limites (comuns aos demais movimentos da época) e propostas (direitos civis que só recentemente vêm sendo implementados). Em 1980, Branca Moreira Alves instigada pelo movimento em que na década de 1970, enfatiza o caráter conservador do movimento liderado por Berta Lutz que não questionava a opressão da mulher no seio da família. Considera que o diteito ao voto, fruto da luta feminista, só foi concedido “quando assim interessou a classe dominante”.
Miriam L. Moreira escreve a biografia de Maria Lacerda de Moura, cobrindo o período de 1919 a 1937, onde ressalta suas reflexões sobre os diversos aspectos da condição feminina. De posições avançadas, similares às das feministas da década de 1960, tal aspecto a manteve marginal, afastando-se do movimento hegemônico, na época liderado por Berta Lutz.
Sobre a atuação informal das mulheres, destacam-se as abordagens da História Social e da História Cultural, em que os historiadores se voltam para o enfoque do cotidiano e de manifestações no plano publico, até então desconsideradas. Estes estudos perseguem a pista dada por E.P.Thompson, acerca da liderança feminina em motins de alimentos (base do poder na comunidade) e buscam desmistificar concepções veiculadas sobre a mulher como submissa e dócil, mostrando atitudes de resistência em seu duro cotidiano.
Natalie Zenon Davis estuda o século XVI, e assinala a capacidade de grupos destituídos de poder em forjar autoridade dentro de brechas existentes. As mulheres tiram proveito das imagens de fraqueza e histeria que lhes eram atribuídas para ampliar seu poder e liberdade frente à família e a comunidade.
Michelle Perrot põe em foco mulheres da classe trabalhadora francesa no século XIX, mostra o papel desempenhado por elas nos motins em que intervinham coletivamente. Arlette Farge estuda as intervenções das mulheres associadas a marginais, as “charivaris”, que estavam na vanguarda e protagonizaram ruidosas aglomerações.
No Brasil, estudos buscam exumar formas sub-repticias assumidas pelas mulheres em face da opressão. Silva Dias procura constituir a historia das mulheres durante o incipiente processo de urbanização do período (Cotidiano e poder em São Paulo no século XIX). Aceita que, embora institucional, socialmente informal e pouco valorizada, sua presença era ostensiva na cidade.
Magali Engel apresenta situações nas quais se evidenciam as iniciativas e estratégias de resistência das mulheres pobres do Rio de Janeiro, de 1890 a 1920 (Condição feminina e formas de violência: mulheres pobres e ordem urbana).
Sobre as mulheres negras de origem baiana que se estabelecem com seus conterrâneos no Rio de Janeiro da virada do século, Monica Pimenta Velloso analisa a liderança comunitária que exerciam em termos de inversão do esquema dominante que atribuía ao homem esse papel. Relaciona suas inúmeras estratégias de sobrevivência enquanto grupo e cultura, como o Candomblé e o carnaval, que terminam por fazer-se sentir sua influencia também sobre os dominantes.
Tanto os estudos feministas e como os historiadores contemplam a esfera de atuação informal de “mulheres visionarias” de origem humilde ou reclusas. Laura de Mello e Souza focaliza as beatas portuguesas dos séculos XVI e XVII. O misticismo dessas mulheres revela outras coordenadas culturais de características da cultura popular. Contudo, os homens inquisidores lhes negaram a santidade e lhes reservaram desfechos trágicos ao identificarem-nas como bruxas.
Luiz Mott se deteve na trajetória da visionária Rosa Egipcíaca, de origem africana, veio para o Brasil com a idade de seis anos, em 1725. Escrava, mais tarde prostituta e, por força de suas visões místicas, tornou-se beata. Possuía devotos entre populares e membros da elite, chegou a ser exaltada pelo clero do Brasil, cantava hinos litúrgicos, fumava cachimbo e dançava ao som do batuque. Termina por ser pressa pela inquisição.
Sobre as mulheres reclusas, em conventos ou recolhimentos, que conseguiram reverter alguns dos propósitos punitivos e supostamente opressivos da instituição, vislumbram-se suas possibilidades de vida autônomas frente aos rigores da família e sociedade, inclusive permitindo o exercício do poder. Enfrentaram a oposição política metropolitana ao enclausuramento de mulheres - diante da necessidade de povoamento, a fim de expressar sua devoção. Susan Soeiro e Leila Mezan Algranti...
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