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Da Oralidade à Escrita: Breve Panorama (Parte 2).
(Sidmar Junior)

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Apesar de, como resultado, poder-se dizer que a escrita chegou a se tornar popular na Grécia a ponto de haver acontecido forte comércio de livros, haver a criação da famosa biblioteca de Alexandria, não podemos dizer que a tradição oral morreu, ao contrário, continuou seu uso na execução de teatros e recitais de poemas, pois, mesmo o papel possuindo toda uma durabilidade histórica, ele jamais substituiu a dramaticidade da apresentação oral. A escrita durou bem até a Idade Média.

Com as invasões bárbaras, começou um grande empobrecimento e uma grande ruralização da população, culminando no analfabetismo. A escrita ficou, praticamente até o século XI, concentrada na igreja; a passagem de informações, com caráter didático ou cultural, ficou basicamente oral e visual (esta através das imagens).

A transmissão de mensagens ficou por conta de trovadores (contadores de histórias), menestréis (músicos) e arautos (mensageiros políticos)’. Isto durou até meados da Reforma (séc XVI) quando, devido à invenção da imprensa por Gutenberg (em 1436), começou-se a disseminar idéias divergentes as idéias da igreja.

(Façamos aqui um pequeno parênteses para introduzir o ‘papel’ na história. O papel começou a ser desenvolvido na China que, após cair como prisioneira dos árabes, ensinaram-lhes a técnica; estes começaram a exportar para Europa a partir do século XII. Vale salientar que, antes, na Europa, já se desenvolvia a escrita em couro de animais, entretanto, a prática rejeitada. Peter Burk, co-autor de ‘Uma história social da mídia’, descreve como as pessoas, com desdém, viam esse tipo de papel: “peles de carneiros castrados escurecidas com tinta”).

O papel foi disseminado rapidamente e o poder da escrita se expandiu da igreja para uma elite letrada. Esse processo denota que a escrita continuou sobre domínio, mas não exclusivo da igreja; as pessoas continuaram nos tempos da reforma, e durante alguns séculos, dependentes da fala ainda.

Os cultos se tornaram cada vez mais necessários, pois eram onde católicos e protestantes tinham a chance de disseminar suas idéias. O diferencial dos protestantes era o Louvor que fazia o público interagir com a igreja (uma espécie de feedback da audiência), não os tornando meros expectadores. Os debates e as peças de teatro também se tornaram fortes fontes de convencimento, fora o ‘disse-me-disse’que fazia com que as idéias da reforma se espalhassem brusca e rapidamente.

Com o fim da reforma e o passar dos séculos, a oralidade continuou sendo usada de formas diversas, como em ‘centros de conversação’ criados em alguns países da Europa, como tabernas e cafés, onde as pessoas podiam conspirar e falar sobre idéias radicais que, por não estarem formuladas, não podiam estar em papel, com o risco de serem pegas ainda no seu embrião; e assim a oralidade, mudando apenas a forma como foi usada e sua importância, continua valendo, até mesmo nos dias de hoje.



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