Estes
(Isaias Carvalho)
Estes é o primeiro livro de poemas de Isaias Carvalho (1997). No prefácio, Maria da Conceição Paranhos assinala que o título, se lido com a vogal inicial fechada – [ê]stes, remete ao olhar além do eu para o outro da linguagem, na ânsia do poeta de expressar sua experiência no mundo. Se lido com a vogal inicial aberta – [é]stes, mira-se o plural de horizontes a surgirem, o que Conceição Paranhos associa à atividade poética como “busca de formar renovadamente o mundo informe, o que permite a [ê]stes e [é]stes tornarem-se sinônimos, guardando, contudo, a ambigüidade”. Quanto ao conteúdo dos poemas, Paranho afirma que Isaias Carvalho tende ao hiperbólico, em nome do verso e daquele verso, “o próximo verso,/que nunca se realiza” – conforme se lê em “Estética da Melancolia”, declaração de princípios poéticos do autor de Estes. Há, inclusive, poemas em língua inglesa, na última seção do livro, em que se pode vislumbrar o esgar, a “lua cuspindo estrelas,/ferindo a escuridão” (“Poema sozinho”). Ainda segundo Paranhos, a atmosfera geral do livro é toda de extremos: “Então a vida, inflada,/arremessa, nesta tela parca,/o farto espectro das cores do nada” (“Cromatismo”); “Vampiros da metrópole,/eis um anjo/novo a seu dispor!” (“Anjo novo”); “Palavras de chama líquida,/arrastam-se. Milênios de criação,/recriação do sempre-mesmo” (“Poema sem carne”). Ouvem-se ecos de Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos, entre outros, na escritura de Isaias Carvalho, no que Conceição Paranhos chama de “vintecentismo”, nas marcas do final do século XX: o sentimento de fronteira entre o eu e o mundo, o desamparo do indivíduo na sociedade eletronizada, o desfalecimento da ilusão de estar-no-mundo e estar-com-todo-mundo, via Internet, e a busca do passado para um futuro indeterminado a ser implantado. Estes é, na visão de Conceição Paranhos, um livro “pós-moderno. Finalmente a prefaciadora afirma que um poeta sempre encontrará os meios de se encontrar com a Poesia, fascinando as próximas gerações e que, em que pesem as distinções entre o passado e o presente, o ser humano continua a ser presa do que Isaias Carvalho chama de “o não das coisas” (“Máscara”). Mas é do poeta, arremata Paranhos, o dever de exprimir o que não pode ser dito pela maioria silenciosa e quem é poeta sabe dessa experiência crucial. Estes pode ser acessado na íntegra na internet (http://sites.google.com/site/fuligempoetica/estes).
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