Eu A potência
(Vinícius Tadeu)
"EU A potência"
Todo dinheiro que você gasta para conhecer uma pessoa
é sempre muito bem empregado, principalmente
quando descobre que ela não vale nada.
Dinheiro não é tudo
e nem faz falta
quando você
tem.
Mas,
Quando não
tem faz uma falta.
Correndo livre pelos campos cerrados, parando de tempo em tempo para catar uma guabiroba aqui, um cajuzinho ali, e sentir o ar à procura do cheiro inconfundível de marolo, enquanto permanecia atento ao correr de um nhambu.
Se aparecesse um deles, ou outro animal qualquer, desde que não dos muito grandes, a espingarda quarentinha punheteira espirrava rápida, com um estalo seco, vomitando chumbo oito e conservando no cano, por alguns segundos, um resto de fumaça branca deixada pela queima da pólvora preta.
Não fossem pelas roupas, apetrechos, e por certa diferença na vegetação local, muito embora essas diferenças fossem visíveis apenas àqueles que delas tivessem conhecimento, facilmente poderia ser confundido com um indiozinho da América do Norte, antes da chegada dos colonizadores.
A vida livre, limitada apenas pelos obstáculos naturais, com suas pradarias, ou melhor, campos extensos e os animais livres a quem os pegasse ou abatesse, não conseguiam traduzir os conceitos e as limitações de propriedade; situação que viria a aparecer em curto espaço de tempo.
Aquele moleque não diferia muito dos outros meninos daquela região. Avanhandava, cidadezinha do interior de São Paulo, noroeste do estado para ser mais exato, um lugar onde o chamado progresso parecia cortar volta já que estava daquele mesmo jeito a mais de cinqüenta anos; ao menos era o que os mais velhos diziam. “Esta cidade parou no tempo.” – era uma expressão muito comum de se ouvir. Quando não emprestavam um ar cômico com a frase: “Visite antes que acabe.”
A economia local era movida principalmente pelas cerâmicas, onde se produziam telhas na maior parte do tempo. E, o emprego mais ou menos esperado era trabalhar numa das marombas ou prensas, e torcer para não perder um dedo ou uma mão.
À época, ainda era um tanto famosa pelo centro pesqueiro do Salto de Avanhandava, onde se fazia anualmente o campeonato paulista de pesca. uma usina de quedas que ora estrangulava e ora espraiava sobre um lajeado formado de pedras duras e escuras que ficavam durante a piracema coalhada de peixes. Piquiras, o caudaloso rioO barro era retirado do varjão que ladeava o Rio Tiete e foi num desses caminhões de transporte que haviam chegado até ali.
Da beira da estrada até o lugar da pescaria
Sim, pode-se dizer que era meio franzino. Meio magrelo, mas não fraco. Não se podia dizer que era um velocista, embora naquela época ele nem soubesse o que era isso, mas corria rápido. Estava indo a uma pescaria e isso era motivo de alegria geral.
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