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Rosa Parks (1913-2005)
(JC)

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ROSA «Lee» Louise Parks, com o nome de família McCauley, senhora preta nascida no Sul dos Estados Unidos, glorificada no seu país e no estrangeiro e considerada por muitos a mãe do movimento dos direitos humanos na América. Entrou na história a 1 de Dezembro de 1955 em Montgomery, Alabama, quando se recusou a levantar-se para dar o seu lugar no autocarro a um homem branco.
Nesse estado americano do Sul profundo, em autocarros de transporte público, as quatro filas da frente tinham lugares sentados para brancos; a seguir - caso não fossem precisos mais lugares para brancos - havia filas que pretos podiam usar; a seguir, filas para pretos; e na retaguarda, pretos viajavam de pé. Rosa Parks, costureira do grande armazém Montgomery Fair, empregada na secção que fazia alterações em roupa de homens, acabara o seu dia de trabalho cansada e tinha arranjado lugar numa das quatro filas do meio, onde se tinham sentado também três outros pretos, quando o motorista do autocarro os mandou mudar porque era preciso lugar para um branco. (Se um branco se sentava num dos lugares da fila, não podia ser conspurcado pela presença de pretos noutros lugares da mesma fila, pelo que eles tinham de se levantar também.)
Os outros três obedeceram, mas Rosa não. Reconhecera o condutor que, doze anos antes, a impedira de entrar pela porta da frente do autocarro. Nos autocarros de Montgomery dessa época, os pretos tinham de comprar o bilhete ao condutor pela porta da frente, depois sair, ir à retaguarda do autocarro e entrar outra vez nele pela porta de trás. Acontecia, enquanto faziam esse trajecto, que o condutor arrancasse - não por distracção mas para tratar mal o preto, entretenimento a que se dedicavam sobretudo brancos pobres, e era de entre brancos pobres que se recrutavam os motoristas de autocarros. Os mesmos brancos que formavam a maioria dos membros do Ku Klux Klan, sociedade secreta racista que ainda hoje existe, embora com muito menos membros e sem o apoio tácito de uma parte das autoridades municipais e estaduais dos estados do Sul. A escravatura fora abolida em 1862, a guerra civil ganha por Lincoln contra os esclavagistas em 1865, mas permanecia no Sul, em meados do século XX, um regime que nada ficava a dever em desumanidade ao «apartheid» sul-africano.
Como, além disso, a lei federal dava direitos políticos aos pretos, incluindo o direito de voto, eram os estados do Sul que, fortes de uma tradição robusta de opressão e discriminação, criavam leis e portarias que além de protegerem as oportunidades de emprego dos brancos e de desencorajarem tentativas de exercício dos seus direitos políticos pelos pretos, inham também o propósito de humilhar os pretos - o «apartheid mesquinho», como se chamava na África do Sul a esse conjunto de medidas. Medidas que nada tinham a ver com o acesso ao poder político e tudo a ver com a vontade de tratar os pretos como uma raça inferior, capaz de poluir pelo contacto físico a raça superior dos brancos.
Rosa Parks diria mais tarde que se recusara a levantar-se, não por estar fisicamente cansada, como se dizia, mas sim por estar cansada de toda uma vida de discriminação e humilhação, na escola, no emprego, na igreja, de ter de entrar em restaurantes, cinemas, comboios, casas de banho públicas, elevadores ou servir-se de fontanários só para pretos. A gota de água que entornara o copo fora a ordem do condutor. Este, como de direito, chamou a polícia. Rosa Parks foi julgada a 5 de Dezembro e condenada a $10 de multa e $4 de custas.
No mesmo dia começou um boicote à utilização por passageiros pretos dos autocarros dos transportes públicos de Montgomery. Alguns pretos serviram-se dos autocarros, outros fizeram vaquinhas em táxis que cobravam só o valor do bilhete de autocarro. Mas a maioria dos utentes pretos - cerca de 40 mil, residindo quase todos nos subúrbios e alguns tendo de marchar mais do que trinta quilómetros para ir e vir do trabalho - cumpriram o boicote, que durou trezentos e oitenta e um dias. A 13 de Novembro de 1956, o Supremo Tribunal em Washington declarou ilegal a segregação racial em autocarros. A sentença chegou a Montgomery a 20 de Dezembro e o boicote acabou no dia seguinte.
Enquanto durara, muitos pretos tinham sido presos ou incomodados por motivos frívolos e inconsequentes. Igrejas onde ministravam pastores pretos e onde a congregação era preta foram dinamitadas. Assim como o foram as casas dos organizadores do boicote, entre eles um jovem pastor que ninguém então conhecia e se chamava Martin Luther King.
Em 1955, Rosa Parks fazia há muito parte de movimentos contra a segregação racial. A sua opção no autocarro trazia por trás anos de luta e uma determinação bem temperada. Deixou o Alabama, mas, de Chicago, continuou o mesmo combate pacífico e constante. Na velhice tornara-se a coisa mais perto de uma santa viva que a América conheceu.



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