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A acção social e os saberes
(Maria do Carmo Brant)

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Na comunicação de Maria do Carmo Brant é analisada, através de seis pontos, a articulação existente entre a teoria (saber) e a prática (acção) do Serviço Social. 1. A necessidade de superação de uma racionalidade cognitivo-instrumentalA ciência na modernidade é marcada pela busca de uma racionalidade científica e tecnológica, única via para atingir a objectividade, a verdade e o progresso; esta atitude provoca que a acção e a sabedoria prática vejam contida a sua actuação, tornando-se necessário articular racionalidade cognitivo-instrumental e racionalidade comunicativa-democrática. 2. A necessidade de superação de um Saber compartimentado e de um Agir fragmentadoA crescente tentativa de especialização profissional, como meio de realizar uma acção competente, provocou, inevitavelmente, uma segmentação do planeamento, da execução e da população-alvo da intervenção. Contrariando esta atitude de fragmentação, o Serviço Social de hoje tem de se pautar pela combinação e partilha de diversos saberes. Uma intervenção só se revelará confiável se, na complexidade da nossa sociedade, se atender às questões ética, política, técnica, processual e comunicativa. 3. Os saberes e a acção do local, do popular, da cultura, da cotidianidadeA valorização exasperada dos saberes científico e tecnológico subordinou outros saberes que devem ser igualmente ponto de partida e/ou referência na intervenção social; falamos, por exemplo, do popular e do religioso. Ficou, assim, para trás o reconhecimento da cidadania ao público-alvo da intervenção, sendo este último demitido de ser co-agentes na própria acção social: “Não lhes fortalecemos a voz e a interlocução política. Mantém-se central a demanda ética de devolver a voz aos silenciados e a visibilidade aos invisíveis na relação institucional e política.” (p. 343). 4. Os saberes e a acção social possuem um componente éticoA actuação dos profissionais de Serviço Social, para além de requerer um saber técnológico e científico, exige, igualmente, fundamentos ontológicos, metafísicos e religiosos que representam as relações éticas e políticas contidas no saber-poder-fazer da intervenção social. A disciplina de Serviço Social tem “objectivos de fortalecimento da inclusão social dos indivíduos no tecido societário, de investimento nas capacidades substantivas dos indivíduos; de implementação de políticas asseguradoras de protecção social aos cidadãos. Estes objectivos possuem claro componente ético e político.” (p. 345). 5. A acção é exercício da políticaA acção revela-se uma construção colectiva, que se dá na esfera pública; deriva da articulação de conhecimentos, tecnologias, habilidades e atitudes do utente-alvo desta mesma acção. O agir profissional deve, assim, ir ao encontro de interesses, necessidades e reivindicações da população-alvo de intervenção, não o sendo efectivamente quando ignora a dimensão política referida - distribuição do poder, expressão e troca de saberes - “a voz e a vez” de cada cidadão. Se assim não for a situação do cidadão transforma-se em simples pedido (o que quer dizer que não existe alteração efectiva da condição, apenas um apoio pontual ou compensatório que não abre espaço real para inclusão social); deste modo, mantém-se entre profissional e cidadão “uma relação de desiguais e não de iguais no plano da cidadania.” (p. 346), sendo a acção apenas apropriada pelo profissional.A acção social deverá relacionar o saber/fazer profissional, a instituição onde se realiza e a população-alvo da acção. Deve ser constituído um espaço da cidadania de todos, vivido por todos os sujeitos sociais. 6. Qual o melhor conhecimento para pensar a turbulência? A transição?O mundo pós-moderno focaliza fortemente a sua atenção no mercado, na ciência, na técnica e na informação, atendendo apenas ao presente, ao imediato, ao ganho individual; nesta rede de fragmentação de interesses, a acção perde o seu sentido, tornando-se mera utilidade. A situação descrita faz crescer fortemente a procura da participação, do compromisso, do envolvimento, do gesto político, afectivo e estético. A acção busca agora a verdade, o bem, a moral e a ética. A acção não deve ser tornada uma mediação para o público, ela tem de ter em si um sentido público, não deve permitir a apropriação privada.Em suma, a intervenção social requer um conhecimento pluralista, no qual saberes e acção caminham juntos.



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