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Durval Discos
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Drama urbano. Durval é um "garotão" de 40 anos que mora com a mãe, Dona Clara, em cima da loja de discos de vinil que leva o seu nome. Com a vida dividida entre os raros fregueses, o convívio com a mãe idosa e as esporádicas visitas da balconista da doceria ao lado, Durval sugere a contratação de uma moça para executar os serviços domésticos obtendo a aprovação de Dona Clara. Contratam então a bela Célia, que, embora demonstre disposição e competência, já no primeiro dia pede para sair mais cedo. A moça, no entanto, não só não retorna no dia seguinte, como deixa na casa a pequena Kiki, uma criança de seus seis anos de idade. A menina cai nas graças de Dona Clara, e também do relutante Durval, que dão-lhe presentes e praticamente a adotam, até descobrirem a verdadeira razão de a menina ter ido parar ali.
Seria uma ótima idéia fazer um filme sobre um sujeito perdidão que estaciona nos anos 1960/70 e não sabe muito bem o que fazer em 1995, época em que se passa a ação, vivendo às custas da mãe. Melhor ainda seria a idéia de construir uma trama que, partindo de instantes de graça e leveza, fosse pouco a pouco desandando num drama de violência e claustrofobia. Durval Discos tenta ser as duas coisas, mas fica no meio do caminho. Tem um cenário delicioso e extremamente bem filmado por uma direção que, além de competente, demonstra virtuosismo na interessante abertura com os créditos iniciais inseridos na paisagem urbana (placas, cartazes) enquanto a câmera passeia pelas ruas paulistas até chegar na loja do título. Interessante, curioso, mostra bem o quanto nossas vidas estão tomadas pela publicidade e o quanto nossa paisagem está emporcalhada, mas que não cabe no filme. Com esse recurso, Durval Discos promete algo que o filme não é, uma crônica da diversidade urbana de uma grande metrópole, o que o roteiro ameaça com os personagens que surgem na loja (pontas de Rita Lee, Theo Werneck e André Abujamra), mas não vai adiante.
Bons são os personagens principais e, mais ainda, seus intérpretes. Ary França, ator dotado de ótima veia cômica, não encontra dificuldades para expressar o beco sem saída em que Durval vai se enfiando, e mostra que seu lado dramático não deixa a dever. Mas é Etty Fraser quem rouba todas as cenas em que aparece, como a mãe carinhosa e obsessiva, muito carinhosa e muito obsessiva, tão carinhosa e tão obsessiva, aliás, que não admite qualquer obstáculo a seu carinho e a sua obsessão. É ela a responsável pela guinada que o filme dá rumo ao suspense, e que seria o grande achado de Durval Discos não fosse a fragilidade do roteiro, escrito pela própria diretora Anna Muylaert. Para atingir seus objetivos a autora força demais a barra, e deixa que seus personagens ajam de forma pouco convincente para chegar ao ponto pretendido. Exemplos disso estão na reação de Durval após descobrir no telejornal quem é a menina, e a exagerada incapacidade em tomar decisões, mesmo depois da constatação óbvia de estar lidando com alguém com a sanidade abalada. O roteiro, assim, jamais flui com a espontaneidade necessária, tornando-se apenas ferramenta para atingir cenas curiosas, algumas interessantíssimas, não importando a que preço.



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