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Da utilidade e desvantagem da história para a vida
(Friedrich Nietzsche)

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Friedrich Nietzsche é um divisor de águas na filosofia ocidental. Seus ataques à mentalidade e à moralidade cristã, à metafísica do além-mundos, ao cientificismo e ao positivismo fetichista da história e do pensamento, bem como sua discussão sobre o estatuto da interpretação, o tornam um inaugurador de uma linhagem crítica de pensamento que caracteriza nossa era. Especificamente em sua “Segunda consideração intempestiva: da utilidade e desvantagem da história para a vida” (Relume Dumará, 2003), Nietzsche critica o impulso cientificista da historiografia que a torna distante da dinâmica da vida. Segundo ele, a história pode vir a ser venenosa ao homem, caso seja tomada como fundamento universal de toda uma realidade. Trata-se de uma desconfiança do historicismo, que estaria sob o domínio de uma atitude de vingança do “homem histórico”, que é ressentido, passivo e vitimado.De fato, o intuito central dessa sua segunda consideração intempestiva é o de questionar o valor e a falta de valor da história, como o objetivo de “impulsionar a história a serviço da vida!” (p. 6). Pensar a história a-historicamente e supra-historicamente é propor a cura pelo esquecimento, pois a “todo agir liga-se um esquecer” (p. 9) e “o histórico e o a-histórico são na mesma medida necessários para a saúde de um indivíduo, um povo e uma cultura” (p. 10).Ao criticar aqueles que levam a história exageradamente a sério, Nietzsche classifica a história em três tipos, no que se refere a sua necessidade para o vivente: uma espécie monumental, em que o homem age e aspira; uma espécie antiquaria, em que o homem preserva e venera; e uma espécie crítica de história, na qual o homem carece de libertação. Essas três formas de abordagem da história são necessárias, mas alguns desequilíbrios podem ser causados por sua transplantação inconseqüente e degenerada.Um destaque maior pode ser dado hoje à história crítica, a qual, assim como a história monumental e a história antiquário, pode ser benéfica ou maléfica para a vida. Na história crítica, o homem resgata o passado para diante do juiz, questionando-o enfaticamente e depois condenando-o, o que pode levar a uma postura de julgamentos ressentidos e de vingança fácil contra um passado que é analisado pela perspectiva do presente. Esse destaque maior que pode ser dado à história crítica vem do fato de que, na contemporaneidade, a tendência à crítica cultural é de fato esse repensar, julgar e resgatar o passado, por vezes de modo negativo para a vida. Já em seu tempo, Nietzsche considerava isso uma supersaturação ou excesso de histórica, o que tornava enfraquecida a personalidade do homem. E, na verdade, para Nietzsche, a história só é suportada por personalidades fortes, as personalidades fracas são completamente dizimadas por ela. É nessa perspectiva que esse filósofo também critica o sentido histórico e o utilitarismo da educação de seu tempo. A obra termina no mesmo tom que começou. Nietzsche afirma que, contra a doença histórica, os nomes dos remédios são a-histórico e o supra-histórico. Por “a-histórico”, ele denominava a arte e a capacidade de esquecer e de se posicionar em um horizonte limitado; já por “supra-histórico” denominava a capacidade de desviar o olhar do vir a ser e o dirigir ao que oferece ao existir o aspecto de eternidade e de estabilidade em sua significação, para a arte e para a religião.NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Segunda consideração intempestiva: da utilidade e desvantagem da história para a vida. Tradução Marco Antônio Casanova. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003. (Conexões; 20)



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