Dos CAMINHOS E DAS ESTAÇÕES
(Adalberto Antunes de Melo)
Livro: Dos Caminhos e das Estaçõeshttp://www.clubedeauto res.com.br/book/32498--DOS_CAMINHOS_E_DAS_ESTACOESEm1.200 d.C a América conheceu o apogeu de uma das mais fascinantes civilizações da história da Humanidade: O Império Inca, que abrangia o norte do Equador, o sul da Colômbia, o noroeste da Argentina, o sudoeste do Chile e a totalidade dos territórios do Peru e da Bolívia. Dentre os múltiplos aspectos da sua extraordinária cultura, destacavam-se as notáveis criações arquitetônicas, porém, o que permitiu a sua expansão territorial foram as suas estradas e veredas, que de tão extensas ligavam o continente de costa a costa, desde Arequipa, no Pacífico, até São Vicente, no Atlântico.Séculos depois, os bandeirantes se valeram dessa imensa malha viária para empreender as suas conquistas expansionistas e, com o correr dos anos, muitos desses caminhos tornaram-se rotas de domínio público para o transporte de gado, tropas e víveres, como os Caminho de Viamão, que ia da antiga capital gaúcha até Sorocaba e o Caminho dos Mineiros, que partia do sul das alterosas até os inóspitos sertões do Vale do Paranapanema, no sudoeste paulista.No mesmo período em que o Império Inca se expandia, a Europa vivia o seu inferno astral, mergulhada na Noite dos Mil Anos. Em 1453, com a queda de Constantinopla, a Espanha transformou-se numa das maiores potências do planeta, principalmente com os saques dos tesouros dos Maias, Astecas e Incas.Entretanto, por conta da corrupção, dos desvarios, das guerras e das epidemias, a miséria acabou se instalando e o país, a partir do século XIX, assistiu um imenso êxodo rumo ao Novo Mundo. Trechos do livro:1) "...Em 1893 Manoelzinho viu os seus pais morrerem diante dos seus olhos num intervalo de apenas cinco dias entre um e outro. Sabino de Souza Mello e Francelina Norberta foram vítimas da insidiosa febre amarela, que naquele final de século ceifou centenas de milhares de vidas pelo interior do Brasil. (...) Os dez irmãos foram adotados pelos seus padrinhos, como era o costume de então, e terminaram por se espalhar pelos mais diversos quadrantes, perdendo completamente o contato entre si" 2) "...Numa época de exíguos recursos de comunicação e com a maior parte da população constituida por analfabetos, o menino Zezinho conseguiu estudar e, quando atingiu a maioridade reinou de estudar homeopatia por correspondencia. Mas não estava satisfeito: quando mudou-se para Itaí, o inquieto rapaz decidiu que ia ser farmacêutico e obstetra. Assim, deixou sob os cuidados dos familiares a sua jovem mulher Maria Dorth, alemoa enfezada e de olhos faiscantes azuis, mais a filhinha de colo, Ditinha, e partiu para a cidade grande atrás dos seus sonhos..."3) "...À noite, recolhido na sua sala favorita, ninguém viu o Juan se entregar à dor lancinante da brutal agonia. Sabia que estava deixando para trás, não as suas propriedades e os seus moinhos, mas sim, toda a história escrita pelos seus antepassados, que impassíveis o fitavam dos seus retratos dependurados nas paredes. Encolhido, Juan os olhou, como que envergonhado e balbuciou num sussurro, ao mesmo tempo que sentia na boca o sabor amargo das lágrimas a escorrer pelo rosto.-Perdóname! Perdóname... Pero, por Dios, todo que lo hago es solamiente por el bien de nuestra família... Perdóname...E, já sem forças sequer para pensar, abandonou-se ao pranto, deixando as lágrimas fluirem livremente, até que a serenidade que seguiu ao aluvião o convidasse para se levantar e se recolher ao velho quarto..." 4) "... Ao perceberem a aproximação dos cães e dos homens armados os selvagens, aterrorizados com as histórias das atrocidades cometidas pelos brancos contra o seu povo, fugiram espavoridos... Todos, menos duas meninas (....) Diante das indiazinhas apelaram para a mímica e estas, demonstrando confiança e docilidade, abriram largos e inocentes sorrisos, o que definitivamente cativou aqueles homens, que após rápida conferência, decidiram levá-las consigo..."
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