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Cabeça de Turco
(wikipedia.com)

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Livro
de Günter Wallraff, Cabeça de Turco é uma obra jornalística que revela a
realidade da vida dos estrangeiros que procuram trabalho na Alemanha.

Wallraff
denuncia, baseado na experiência vivida, a situação de marginalização, desprezo
e discriminação das minorias étnicas numa sociedade que se julga “sensata,
soberana, incontestável e imparcial”. Trata-se de um relato, na primeira
pessoa, das agruras a que estão submetidos os imigrantes iugoslavos, espanhóis,
gregos e, em especial, os turcos.

Para
iniciar a sua viagem aos «porões da sociedade alemã», o autor teve de passar por uma radical metamorfose, a
fim de impedir que o desmascarassem e que o projeto do livro fracassasse.
Confessa que evitou por muito tempo o papel de imigrante turco disposto aos trabalhos mais
degradantes para sobreviver. Sabia de antemão, por depoimentos, o que iria
sofrer – desaforos diários, exposição a riscos em trabalhos perigosos,
não-pagamento integral de benefícios e encargos sociais. Colocou lentes de
contato escuras, “aprendeu” a falar um alemão canhestro e realizou exercícios
físicos para fortalecer as costas para os trabalhos extenuantes que o
aguardavam.

Ofereceu-se
com o seguinte anúncio: estrangeiro, robusto, procura qualquer tipo de
trabalho, mesmo que seja muito pesado e sujo, mesmo que paguem pouco.

Sob
o pseudônimo de Ali Sinirlioglu, aceitou algumas propostas de emprego que
ofertavam de 5 a 9 marcos/hora, quando o salário-referência alemão é de 11
marcos/hora. Trabalhou como ajudante em uma fazenda, recebendo apenas alojamento,
como tocador de realejo mendicante, e até na cozinha de um McDonald's.

Os
pontos que ocupam a maioria dos capítulos são os trabalhos a que Ali é enviado
quando se oferece para a empreiteira Adler. Além de usar de todo o tipo de
subterfúgio para burlar a legislação, atrasando o pagamento dos salários
baixíssimos e não registrando seus operários para driblar o fisco, Adler remete
os trabalhadores estrangeiros para subempregos em outras empresas.

Nelas,
os operários não-alemães geralmente ficam nos piores e mais perigosos postos, e
a não-observância das normas de segurança é uma constante nesses locais. Como
no grupo Thyssen, indústria de aço, em que trabalhadores turcos ficam expostos
ao pó e gás de coque, sem capacete, máscara e luvas de proteção, em turnos que podem chegar a 16 horas por dia.


Nas
amizades que Wallraff fez com outros turcos, ouviu histórias de operários que
morreram por causa das emanações de gás e de outros que, apesar de terem
sofrido acidentes sérios, não puderam exigir licença por causa da sua situação
irregular. O que se vê nas páginas do livro é um enorme conjunto de
irregularidades cometidas por Adler, que construiu fortuna em cima da
exploração do trabalho de imigrantes.

Tomando
conhecimento de que muitos estrangeiros são requisitados para trabalhar como
cobaias na indústria farmacêutica, Ali decide deixar o trabalho pesado na
Thyssen. Com uma bronquite crônica e os ombros doloridos, parte para Neu-Ulm,
onde fica o instituto LAB, um dos maiores institutos de testes da Europa. Sem
maiores perguntas é aceito e enviado para um exame médico. Aprovado, o teste
começaria no dia seguinte: duraria onze semanas e consistia em testar
medicamentos para epilepsia. Os efeitos colaterais eram terríveis: problemas na
vista, «vertigem violenta, fortes dores de cabeça e distúrbios de percepção»,
além de sangramento na gengiva. Um dia depois abandonou o teste. Logo após,
tendo ido verificar a situação de outro laboratório, deu-se ao luxo de recusar
o trabalho, o que a maioria dos imigrantes não pode fazer. Wallraff denuncia,
ao consultar um professor da Universidade de Bremen, que a maioria desses
testes são desnecessários. «São estudos que têm propósitos comerciais, e não há
nenhuma relação entre sua utilização e as despesas que acarretam».

Cabeça
de Turco, enfim, é uma denúncia, não só da situação dos imigrantes, mas
sobretudo do sistema capitalista. Mostra uma sociedade que se diz civilizada,
mas que, ao contrário, é desumana. O jornalista tornou-se objeto de sua
reportagem e produziu uma obra capaz de levar o leitor a uma reflexão.



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