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Evan na Escola de Datilografia
(José Guimarães)

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Evan continuou seus estudos na escola de datilografia, à
noite, e trabalhava durante o dia na fábrica de alfinetes. Ali ele ficava das
sete da manhã às seis da tarde.



Na hora do almoço lhe era reservado o direito de comer a
comida requentada da velha marmita de alumínio. Nessa época ainda não havia o
popular marmitex, como o conhecemos hoje. Portanto, a marmita deveria ser
transportada de casa, com a comida do jantar que ficava na geladeira até a hora
de ir para o serviço.



Lá chegando, voltava para a geladeira, onde, por volta das
dez horas o empregado, encarregado dessa incumbência, colocava todas as
marmitas em banho-maria, num marmiteiro amassado e enegrecido, e ligava o
dispositivo na tomada. Ali, aos poucos, todas as marmitas se aqueciam até a
hora do almoço da rapaziada e das moças também.



A marmita de Evan continha geralmente arroz e ovo, vez ou
outra arroz com feijão e bife. Mas Evan comia satisfeito, sempre pensando em vencer
todas as agruras da vida no futuro. Casar-se, ter filhos saudáveis, uma casa
para morar, um cachorro bem alimentado ou um gato.



Por falar em gato, aparecia um lá na fábrica que miava
continuamente, sempre na hora do almoço. Evan se preocupava em dar um pouco de
comida a ele. Mas Alfredo lhe dizia:



- Não adianta dar comida pra ele. Porque já dei antes de
almoçar. Ele fica miando assim, mas está de barriguinha cheia.



Evan não tinha muita certeza disso. Mas, confiante em
Alfredo, deixava o gatinho miar insistentemente, roçando os pelos nas pernas
das pessoas, inclusive dele.



Evan termina o curso de datilografia e alguns dias depois
decide sair da fábrica. Conversa com o encarregado, Sr. Alfredo e ele lhe diz:



- Se você quer saber, pra mim não é nenhuma surpresa. Sempre
achei que você não demoraria muito tempo aqui. Sua capacidade de aprender é
fantástica e percebo que você terá muito futuro pela frente. É só lutar que
conseguirá.



Evan sorri ao ouvir isso. Pois achava que o chefe, durão
como sempre fora, ia dizer que ele era um irresponsável, incapaz de permanecer
no serviço por muito tempo. Se bem que Evan já estava ali havia mais de um ano
e ficou sabendo que os que entraram antes dele demoraram no máximo duas
semanas.



“Até que demorei muito”, pensou. Recordando que pretendera
deixar o emprego logo na primeira semana, porque o trabalho de limpar alfinetes
é muito prejudicial à saúde. Além de trabalhar com pó de madeira para colocar
na máquina que limpa alfinetes, ainda respirava o vapor do ácido bórico. Só
muito mais tarde ele descobriu que é prejudicial á saúde.



No entanto, passou da primeira semana para a segunda e teve
coragem de perguntar para seu colega de trabalho (ambos de máscara para evitar
respirar pó de madeira):



- Quanto tempo demorou o último empregado que trabalhou
aqui?



Joaquim levantou a máscara do rosto inteiro coberto de pó e
respondeu:



- Um durou dois dias. Outro, só trabalhou quatro. Depois
teve um que durou uma semana. O único que demorou mais tempo é você.



Então, Evan achou que deveria ser persistente. Ou seja,
continuar no emprego e respirar pó de madeira por muito mais tempo. Sem falar
na substância maligna do ácido bórico, usado para tirar resíduos dos alfinetes,
a fim de que eles ficassem brilhantes antes de irem para as caixas. Depois
essas caixas iriam para as lojas, onde seriam vendidos a alfaiates e
costureiras.



De uma coisa Evan sabia. Dificilmente ou até mesmo nunca,
jamais vestiria uma roupa feita com auxílio dos alfinetes que fabricava. Porque
suas roupas eram compradas feitas e com espaço de tempo muito grande entre uma
compra e outra. Saída de rapaz pobre, vindo do interior, para driblar a falta
de dinheiro.



No dia marcado, passou no escritório da empresa e recebeu o
que lhe era de direito. Férias, pagamento do mês e correção sobre as vantagens
que recebia. Juntando tudo, deu um dinheirinho que gastaria com muito cuidado
até encontrar o próximo emprego.



São Paulo nessa época era diferente da cidade que conhecemos
hoje. Havia franca expansão industrial. Construção do metrô. Edifícios e outras
obras faraônicas, como o Elevado Costa e Silva, popular Minhocão, a Estação
Rodoviária e muitas outras. Nessa época ainda não havia os calçadões, portanto,
dá para você imaginar como era a cidade com todos os carros passando nas ruas
centrais.Esta história continua no artigo A Grande Mentira de Evan.



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