Dom Casmurro - 3 Prt
(anabordin)
No final, acusada pelo marido enciumado, revela-se nobre e altiva ao não responder as acusações. O seu silêncio confere a ela grandeza e contribui mais ainda para acentuar a dúvida que paira sobre seu adultério. 2) Dom Casmurro. O perfil do protagonista masculino pode ser acompanhado em três fases distintas: Bentinho, Dr. Bento Fernandes Santiago e Dom Casmurro. Bentinho revela-se unia criança/adolescente marcado pela timidez, sem muita iniciativa e bastante dependente da mie. Tinha uma imaginação fertilíssima, como no capitulo XXIX (O Imperador). Levado para o seminário para ser padre (promessa da mãe - D. Glória), quando trava amizade com Escobar, Bentinho, com ajuda de J Dias, abandona a carreira sacerdotal e ingressa na Faculdade de Direito, em São Paulo. Formado aos vinte e um anos, ele é agora o Dr. Bento F. Santiago, bem posto na vida, financeiramente rico (riqueza muito mais de herança do que de trabalho), casado e feliz com Capitu, quando canta na ópera da vida um ?duo terníssimo?. Depois, surge o filho (Ezequiel) e começam a aparecer os problemas: o ?duo ternissimo? da ópera da vida vai cedendo lugar ao melodrama do ?trio? e ?quattuor? das dúvidas e incertezas. É a vez da fase casmurra, marcada pela solidão, pela mágoa e pela amargura. 3) D. Glória. Mãe de Bentinho, cedo assume as rédeas da casa com a morte do marido, o qual deixa a família bem amparada. Ao longo do romance, D. Glória, revela-se religiosa, apegada às tradições e ao passado, conforme observa o narrador: ?Minha mãe exprimia bem a fidelidade aos velhos hábitos, velhas maneiras, velhas idéias, velhas modas Tinha o seu museu de relíquias, pentes desusados, um trecho de mantilha, umas moedas de cobre...? D. Glória era, pois, unia boa senhora - uma santa, santíssima como diria o José Dias. Morando com D. Glória destacam-se na narrativa Tio Cosme, viúvo como ela, e Prima Justina, igualmente viúva: ?era a casa dos três viúvos?; além desses, pode entrar aqui também o Padre Cabral, muito amigo de Tio Cosme, com quem ia jogar à noite. 4) José Dias. Era agregado da família e gostava muito de Bentinho. Bajulador e de idéias chochas, realçava-as com superlativo, que passa a ser sua marca registrada: ?José Dias amava os superlativos? e usa-os com freqüência ao longo do romance, inclusive na hora de morrer quando se refere ao dia como ?lindíssimo ?. 5) Escobar. Muito amigo de Bentinho (colegas de seminário), Escobar era casado com Sancha e revela-se um tanto quanto misterioso: teria participado do ?trio? cantado por Dom Casmurro, formando o triângulo amoroso da suspeita do narrador? Fica a dúvida e a mágoa, como revela Dom Casmurro no capitulo final, já que Escobar foi tragado pela morte (afogamento), sem possibilidade de defender-se da acusação. 6) Ezequiel. É o filho de dom Casmurro com Capitu, pejorativamente chamado pelo pai dc ?filho do homem?. Gostava de imitar e imitava muito bem sobre-tudo Escobar. Vitima da suspeita do pai, acaba sendo afastado, assim como a mãe, para a Suíça, tendo morrido perto de Jerusalém, como arqueólogo. Além desses, destacam-se ainda o Pádua, pai de Capitu, o qual era um modesto funcionário público, e sua mulher, Fortunata, muito econômica, também forte e cheia como a filha Capitu. ESTILO DO AUTOR/LINGUAGEM O estilo de Machado de Assis, marcado pela sobriedade, correção e concisão, apresenta traços inconfundíveis, que vamos alistar. 1) A linguagem de Machado de Assis é marcadamente acadêmica: clássica, bem cuidada, regida pelas normas de correção gramatical. Entretanto, em alguns pontos, tal como ocorre no Modernismo, ele registra aspectos típicos da língua da personagem, como nesta fala de um vendedor de cocada: - Sinhazinha, qué cocada hoje? - Cocadinha tá boa... 2) Outra marca do estilo machadiano é a tendência para a frase sentenciosa e proverbial, como aquela em que comparaa vida com uma ópera, atribuída ao tenor Marcolini: ?A vida é uma ópera?.
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