Divina Comédia (paraiso)
(Dante Alighieri)
O Paraíso é o canto da beatitude, da consonância da vontade dos bem-aventurados com a de Deus. É também o canto das dissertações teológicas, das doutas explicações que Dante recebe da sua dama e de outros eleitos. Mas principalmente é o canto da luz, uma luz que resplende, que irradia, flameja, palpita onde quer que seja, sobre as figuras dos bem-aventurados, nos olhos de Beatriz, sobre as esferas que se movem nos céus, e que se torna tanto mais ofuscante quanto mais se sobe para a visão de Deus. do Paraíso Terrestre, Dante e Beatriz erguem-se com movimento rapidíssimo para a esfera do fogo e, ultrapassada, chegam ao primeiro céu, o da Lua, onde se encontram os espíritos daqueles que foram constrangidos pela violência dos outros a serem infiéis aos votos religiosos. Dante encontra aí Piccarda Donati. no Paraíso, os bem-aventurados residem todos no Empíreo em contemplação de Deus, mais perto ou mais longe d''Ele segundo seu mérito, mas todos felizes do seu estado. Só para fazer compreender a Dante a arquitetura celeste, e para lhe mostrar o seu diverso grau de felicidade, eles se agrupam nos sete céus planetários, cada um naquele cuja influência sofreu em vida, segundo as regras astrológicas medievais. Uma particular virtude moral preside a cada céu: a fortaleza no céu da Lua, a justiça em Mercúrio, a temperança em Vênus, a prudência no Sol; e no céu de Marte há a fé, no de Júpiter, a esperança, em Saturno, a caridade. No céu de Mercúrio pairam os espíritos que usaram do seu talento para fazer o bem. E aqui se revela a Dante Justiniano, o qual celebra, a grandes linhas, a história do Império Romano, desde Enéias a Carlos Magno. Depois do encontro com o imperador, Beatriz tira algumas dúvidas de Dante falando-lhe da morte de Cristo, da redenção do homem do pecado original, da incorruptibilidade do que foi criado diretamente por Deus. E assim discutindo, chegam à esfera de Vênus, onde, entre os espíritos que fortemente amaram, encontram Carlos Martel, filho de Carlos II de Anjou. Passando por Florença em 1294, o jovem angevino conhecera Dante e dera-lhe prova de grande amizade, logo cortada pela sua morte prematura. Depois de Carlos, outros espíritos amantes se revelam ao poeta: Cunizza da Romano e Folco de Marselha, que censura a vergonhosa avareza dos eclesiásticos. No quarto céu, o do Sol, brilham as almas sapientes e triunfam os teólogos. Dante encontra lá Tomás de Aquino e Boaventura de Bagnorea, que tecem o elogio dos dois grandes campeões da fé, S. Domingos e S. Francisco. O quinto é o céu de Marte, onde as almas dos que Morreram combatendo pela fé de Cristo estão dispostas em forma de cruz luminosa. Do baço direito da cruz fulgurante revela-se ao poeta o seu trisavô, Cacciaguida, morto na segunda cruzada. Cacciaguida fala de Florença dos seus tempos antigos, quando a população, encerrada no primeiro círculo de muralhas, "estava em paz, sóbria e pudica", e prediz a Dante o exílio, exortando-o todavia a suportar as injustiças confiando em Deus: principalmente não tenha medo da verdade, mas grite-a no rosto de todos sem se preocupar com as conseqüências. Dante continua a subir com Beatriz: no sétimo céu, o de Saturno, os espíritos contemplativos estão ordenados segundo uma escala admirável que sobe até ao Empíreo. S. Pedro Damião fala do mistério da predestinação; S. Bento conta de si e da ordem e lamenta a sua decadência. O oitavo é o céu das estrelas fixas: em forma de fúlgido sol, no meio das mil esplêndidas luzes dos bem-aventurados, Dante assiste ao triunfo de Cristo. Sobre Cristo ao empíreo e, num tripúdio de fulgor, os bem-aventurados celebram o triunfo de Maria. Antes da ascensão ao nono céu, S. Pedro, S. Tiago e S. João interrogam o poeta sobre a fé, a esperança e a caridade! Dante supera com êxito estexame acerca das virtudes teologais e depois ouve de Pedro a mais rude invectiva contra o papado e a sua corrupção. Aos três apóstolos junta-se depois Adão, que desvenda ao poeta a natureza do pecado original e lhe diz quantos nos passaram desde a criação do homem, quanto tempo ficou no Paraíso Terrestre e a língua que falou. Depois de um hino de agradecimento a Deus, os bem-aventurados sobem para o Empíreo. Do nono céu, ou primeiro móvel, Dante contempla nove esplêndidos coros angélicos, cujas virtudes e função lhe são explicadas por Beatriz; ela fala-lhe depois da causa, do lugar e do tempo da criação dos anjos, nas suas faculdades, do seu número e das trágicas diferenças entre os anjos fiéis e os rebeldes. Dispersos os anjos, comparece perante os olhos de Dante o fúlgido ofuscante espetáculo da Rosa celeste, formada pelos espíritos triunfantes e pelos anjos, em volta de Deus. É o Paraíso dos contemplantes. Beatriz deixa Dante e vai ocupar o seu lugar no terceiro círculo dos eleitos. Junto do poeta está agora S. Bernardo, o mais ardente dos místicos, que o guiará, pois que Dante, agora, não poderá seguir com a força da razão, mas apenas por arroubos extáticos.
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