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Getúlio Vargas Parte Iv
(Rui Arts)

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O intervalo 1945 - 1950
Getúlio foi um dos casos únicos no mundo de um ditador afastado do poder sem sofrer nenhuma punição, nem mesmo o exílio como o que impusera ao presidente Washington Luís ao depô-lo. Não teve os direitos políticos cassados e não respondeu a qualquer processo judicial. Getúlio Vargas retirou-se para sua estância em São Borja, no Rio Grande do Sul.
Apoiou a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra, seu ex-ministro da Guerra (hoje "Comando do Exército") durante todo o Estado Novo, à presidência da República. Dutra venceu a eleição.
Na formação da Assembléia Nacional Constituinte de 1946, Getúlio Vargas foi eleito senador por dois Estados: Rio Grande do Sul e São Paulo, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Por esta legenda, foi também eleito representante à Câmara dos Deputados por sete estados.
Getúlio participou muito pouco da Constituinte e foi o único parlamentar a não assinar a Constituição de 1946.
Assumiu seu cargo no Senado Federal como representante gaúcho, e exerceu o mandato de senador durante o período 1946-1949, quando proferiu vários discursos relatando as realizações do Estado Novo e da Revolução de 1930.
Deixando o Senado, foi viver na sua estância (propriedade rural nos pampas) em São Borja, onde foi muito assediado por seus partidários para retornar à vida pública.
Acabou aceitando voltar à política e, já com 68 anos, percorreu o Brasil em campanha eleitoral, prometendo que o povo subiria com ele as escadarias do Palácio do Catete.
Uma síntese das dificuldades que Getúlio enfrentaria como candidato e como presidente é dada pela frase do escritor, político e jornalista Carlos Lacerda que afirmou, a respeito de Getúlio:




Esse homem não pode se candidatar,
se se candidatar não poderá ser eleito,
se for eleito não poderá tomar posse,
se tomar posse não poderá governar.

Carlos Lacerda
Era, mais ou menos, a mesma visão que, em 1930, a Aliança Liberal tivera quanto à candidatura e posterior vitória eleitoral de Júlio Prestes, o Seu Julinho, último cidadão nascido no Estado de São Paulo a ser eleito presidente do Brasil.

 O governo eleito (1950 - 1954)

 A eleição de 1950
Getúlio foi eleito em 3 de outubro de 1950, derrotando a UDN, que tinha como candidato novamente Eduardo Gomes, e o Partido Social Democrático, que abandonou seu candidato Cristiano Machado e apoiou Getúlio. (Desse episódio é que surgiu a expressão "cristianizar um candidato"<carece de fontes?>).
Fundamental para sua eleição foi o apoio do Governador de São Paulo, Adhemar Pereira de Barros, que tinha sido nomeado por Getúlio como interventor em São Paulo, durante o Estado Novo, entre 1937 e 1941. Adhemar transferiu a Getúlio Vargas um milhão de votos paulistas, mais de 25% da votação total de Getúlio. Esperava que, em troca desse apoio em 1950, Getúlio o apoiasse nas eleições de 1955 para a presidência da república.

 Uma administração polêmica
Getúlio tomou posse na presidência da república em 31 de janeiro de 1951, sucedendo o presidente Eurico Gaspar Dutra. Seu mandato presidencial deveria estender-se até 31 de janeiro de 1956.
Getúlio descreveu a Tancredo Neves, (o qual o relatou no livro "Tancredo fala de Getúlio") a visão que tinha de seu novo governo constitucional: "Fui ditador porque as contingências do pais me levaram á ditadura, mas quero ser um presidente constitucional dentro dos parâmetros fixados pela Constituição".
Getúlio teve um governo tumultuado devido a medidas tomadas e a acusações de corrupção.
Um polêmico reajuste do salário mínimo em 100% ocasionou o "Manifesto dos Coronéis" (um protesto público, em fevereiro de 1954, dos militares contra seu governo ? um dos coronéis chamava-se Golbery do Couto e Silva), seguido da demissão do ministro do trabalho João Goulart.
Foram também polêmicas:

A lei sobre restrição da remessa de lucros das empresas estrangeiras para o exterior
A lei sobre crimes contra a economia popular e
A lei sobre o monopólio estatal da exploração e produção de petróleo.
Neste período, foram criadas a Petrobrás, o BNDES, o IBC (Instituto Brasileiro do Café), o seguro agrário, o Banco do Nordeste, a CACEX (carteira de comércio exterior) do Banco do Brasil e a usina hidroelétrica de Paulo Afonso.
Foi feito um acordo de cooperação militar com os Estados Unidos que vigorou até 1977.
Tentou, mas não conseguiu, criar a Eletrobrás, que só seria criada em 1961.
Houve uma série de acusações de corrupção a membros do governo e pessoas próximas a Getúlio, o que levou-o a dizer que estava sentado num "mar de lama".
O caso mais grave de corrupção, que jogou grande parte da opinião pública contra Getúlio, foi a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do jornal "Última Hora", de propriedade de Samuel Wainer, acusado por Carlos Lacerda e outros de receber dinheiro do Banco do Brasil para apoiar Getúlio. O Última Hora era praticamente o único órgão de imprensa a apoiar Getúlio.

 O crime da rua Tonelero e o fim
Na madrugada de 5 de agosto de 1954, um atentado a tiros de revólver, na frente do edifício onde residia Carlos Lacerda, em Copacabana, no Rio de Janeiro, mata o Major Rubens Florentino Vaz, da Força Aérea Brasileira (FAB), e fere, no pé, Carlos Lacerda, jornalista e ex-deputado federal da UDN, que fazia forte oposição a Getúlio.
O atentado foi atribuído a Alcino João Nascimento e seu auxliar Climério Euribes de Almeida, membros da guarda pessoal de Getúlio, chamada pelo povo de "Guarda Negra". Ao tomar conhecimento do atentado contra Carlos Lacerda na Rua Tonelero, Getúlio disse: "Esse tiro me pegou pelas costas".
A crise política que se instalou foi muito grave porque, além da importância de Carlos Lacerda, a FAB tinha como seu grande herói o Brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN, que Getúlio derrotara nas eleições de 1950. A FAB criou uma investigação paralela do crime que foi apelidada de "República do Galeão".
Existem várias versões para o crime da rua Tonelero nº 180. Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, chamado pelo povo simplesmente de Gregório, foi acusado de ser o mandante do atentado. O "Jornal do Brasil" entrevistou o pistoleiro Alcino João do Nascimento, aos 82 anos em 2004, o qual garantiu que o primeiro tiro que atingiu o major partiu do revólver de Carlos Lacerda. Existe também um depoimento de um morador da Rua Tonelero que garante que Carlos Lacerda não foi ferido a bala.
O fato é que Gregório confessou ser o mandante do atentado contra o jornalista e político Carlos Lacerda, ferrenho opositor de Getúlio Vargas e, em 1956, os acusados do crime da rua Tonelero foram levados a um primeiro julgamento: Gregório Fortunato foi condenado a 25 anos de prisão como mandante do crime, pena reduzida a 20 anos por Juscelino Kubitschek e a 15 por João Goulart. Gregório foi assassinado em 1962, no Rio de Janeiro, dentro da penitenciária Lemos de Brito, pelo também detento Feliciano Emiliano Damas.
Getúlio foi pressionado a renunciar ou, ao menos licenciar-se da presidência.
Essa crise levou Getúlio Vargas ao suicídio na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954, logo depois de sua última reunião ministerial, na qual fora aconselhado a se licenciar da presidência.
A data não poderia ser mais emblemática. Getúlio, que se sentia massacrado pela oposição, pela "República do Galeão" e pela imprensa, escolheu a noite de São Bartolomeu para sua morte.
Assumiu a presidência da república o vice-presidente norte-riograndense Café Filho, da oposição a Getúlio, que nomeou uma nova equipe de ministros e deu nova orientação ao governo.
Getúlio deixou uma nota de suicídio, a "Carta Testamento", que foi lida na sua versão datilografada de maneira emocionada por João Goulart no enterro de Getúlio em São Borja. Esta carta até hoje é alvo de discussões sobre sua autenticidade. Chama muito a atenção, na



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