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Dom Quixote De La Mancha
(Miguel de Cervantes)

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Existem tantos Quixotes quanto seus leitores.
Difícil dizer o que representa Dom Quixote, mas fácil saber o que ele não representa.
Dom Quixote não representa a decadência da Espanha pois, no tempo de Cervantes, o país ainda usufruía de muitas riquezas e grande prestígio.
Também não se trata de uma sátira às Novelas de Cavalaria, que narram histórias de homens sonhadores e feitos heróicos, histórias essas encontradas nos livros que Cervantes, desde muito cedo, lera com avidez e deslumbre: Amadis de Gaula, Carlos Magno e os Doze Pares de França, Os amores de Roldão, A Cavalaria Cristã, O Livro Do Sábio Merlin, El Cid, Os Cavaleiros da Távola Redonda... e dezenas de outros, que constavam em sua biblioteca.

Que ou quem representa, pois, Dom Quixote?
A ele mesmo, e ao seu autor, com quem formava uma unidade; a qualquer indivíduo que, como ele, possa dizer: Sei quem sou e quem posso me tornar, se assim o decidir.

Dom Quixote é uma obra clássica porque traz em si os anseios imperecíveis na alma do ser humano: o amor à vida e à liberdade. A liberdade em Dom Quixote é de tal forma ilimitada que ultrapassa o tempo e o espaço ? pois encetou a busca dos ideais do Cavaleiro Andante, quando há muito estes haviam desaparecido da face da Terra, quando já não existia na Terra espaço espiritual para a existência de Cavaleiros Andantes. Ao empreender batalhas contra imaginários feiticeiros e gigantes, está, na verdade, empreendendo sua busca do Santo Graal, que é, ao fim de contas, a vida e a esperança que existe dentro de cada um de nós.

Seu Graal era ser ele mesmo, livre para agir e sonhar, deixar-se levar pela loucura sagrada, ignorando quaisquer laços que o amarrassem à realidade que o circundava: o senso comum, os preconceitos, o poder do dinheiro, as leis dos padres, a incompreensão dos homens. Que importa que lute contra moinhos de vento, proteja damas que não correm perigo, idealize como belíssima princesa a maltrapilha Dulcinéia?

Importa sua verdade mais íntima e seu mais caro anseio, que se identifica com o anseio de Cervantes, tantas vezes preso e libertado: A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos que os céus concederam aos homens; pela liberdade e pela honra, deve-se arriscar a vida, pois não existe maior mal que o cativeiro. A liberdade é um bem que transcende a escuridão dos calabouços e alcança o infinito ? pois Cervantes, encarcerado em Sevilha, teve na prisão o espírito livre para encetar a criação de sua obra-prima, assim como Dom Quixote, cerceado pelo senso comum da sociedade, conseguiu viver seu mundo imaginário.

Como profetizara, sua perenidade transmutou-se através dos séculos ? no bronze, no mármore, nos quadros ? e, mais do que ele podia imaginar: na música, no balé, na ópera, no cinema...
Quatro séculos depois, geração após geração, seu sonho continua a ser inspirador, como na música do conjunto brasileiro ?Barão Vermelho?: Mas quem tem coragem de ouvir / amanheceu o pensamento / que vai mudar o mundo / com seus moinhos de vento.



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