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Nome De Guerra
(José de Almada Negreiros)

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Surpreendeu-me a natureza mais tradicional do maior modernista Português. Se bem que a história está bem temperada para a época em que foi escrita, fica longe do contemporâneo Henry Miller com as suas descrições possessivas e obsessivas de sexo. Antunes, criado pelo Almada, chega ao sexo livre, mas não mostra as ganas com que Henry perturba e choca o lado tradicionalista da sociedade de então com o seu Trópico de Capricórnio. A grande divergência dos personagens assenta nos destinos. Antunes derruba valores mas no fim encontra um caminho, uma honra, a sua felicidade. Henry tem uma viril e autodestrutiva forma de vida o que o torna, de certa maneira, sobrenatural. Há paralelos na vida nocturna Lisboeta e a noite "cavernosa" de Paris. O Fado e o Jazz são duas formas semelhantes de chorar e a esperteza acompanha as mulheres que nada facilitam e só se rendem à luxúria. O estilo dos dois autores é assimétrico. Henry esmaga-nos com uma escrita ébria, rejeitando de uma forma determinante o lado ético da vida. A cultura rola abundantemente contrariando, já nessa época, a triste fama de desconhecimento com que os americanos ainda hoje são rotulados. Almada comprova a sua alma lusa, suave, e o seu arrojo leva-o a selar com honra e estética, o lado errante da vida. Ébrio, só o personagem Antunes, vindo das berças, que se afunda na lama social nocturna, desonra a família e prova o sabor agridoce do prazer sem limites (enfim, com as restrições devidas de Lisboa). Mas encontra um caminho certo no final, nunca lamentando os erros cometidos. Sinceramente, trata-se de um processo de moralização que me faz optar pelo pecado puro e ilimitado de Henry. É que Almada nem uma vagina descreve na sua obra, remetemndo-se para um estilo longíquo relativamente ao seu Manifesto e escolhendo um nome infeliz para a mulher da má vida (Judite, que horror), enquanto que Henry assume os aromas e os pêlos com exagero, como só o sexo pode ser descrito. As palavras com que descreve o sexo têm um efeito estonteante. Sinceramente faz apetecer, assume um efeito profilático que poupa ao leitor os dispendiosos comprimidos azuis do nosso tempo. Se eu vivesse até aos 250 anos, escreveria uma tese de comparação destes dois autores. É que acabo por não saber se este resumo se dedica à obra do Almada Negreiros ou à de Henry Miller. Concluo que usei Miller para criticar Almada, pois analisar de uma forma pura a obra de Miller é algo que não pode ser um acto isolado. Para lêr Almada chega-me o fado e o vinho tinto com aguardente. Mas para Miller, preciso de uma mulher nua ao meu lado,com pêlos crescidos e a tresandar a sexo feito e refeito. Tropical, de preferência...



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