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Jânio Quadros: Fi-lo Porque Quis
(Nelson Valente)

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Livro de Nelson ValenteJânio Quadros ? Fi-lo porque quis ? Artífice Editorial180 páginasLivro premiado pela Academia Paulistana de História ? Prêmio Clio 2003 de história.Jânio Quadros (1953) elegendo-se prefeito da Capital Paulista e, no cargo, há um momento em que ameaça renunciar. Quando Governador de São Paulo(1955), contrariado com as críticas e com a oposição que vinha sofrendo na Assembléia Legislativa, no cúmulo de sua irritação, chamou o seu secretário particular, Afrânio de Oliveira, e lhe entregou uma mensagem para ser divulgada à noite, pelos jornais, noticiando sua renúncia. De posse da mensagem, Afrânio de Oliveira reteve-a em seu poder, não dando ciência a ninguém. No dia seguinte, estranhando a falta de repercussão da notícia, indaga o Governador do seu Auxiliar onde se encontrava a mensagem:- "Comigo, no bolso."- "Rasgue-a" ? disse Jânio.Estava superada a crise da "renúncia".A renúncia de Jânio Quadros foi premeditada, ligando um fato a outro, as circunstâncias permitem acreditar que tinha o objetivo de controlar todo o governo e livrar-se de Carlos Lacerda e da influência do Congresso.A revista "Mundo Ilustrado" em seu número de 12 de agosto, treze dias antes da renúncia, publicava a reportagem: "Renúncia, arma secreta de Jânio".Prova cabal de que a renúncia não foi um gesto individual de um Presidente destemperado: a carta em que a decisão seria tornada pública estava desde 20 de agosto em poder de Horta. Ele mostrou a um grupo de conspiradores que se reuniu na casa de um industrial em Bertioga (SP). Entre os participantes do encontro estava o Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade (PSD-SP), e o ministro da Guerra, Odílio Denys.A justificativa apresentada pelo Presidente Jânio Quadros sobre a sua renúncia à Presidência da República, tem uma característica interessantíssima: a de colecionar renúncias como chantagem.Em 1960, em entrevista exclusiva, após o episódio da renúncia, quando era candidato a candidato à Presidência da República, pela UDN, Jânio disse: - "Quando renunciei, tinha o firme propósito de voltar à vida privada, isto é, à advocacia, ao magistério e à família" (renunciou por duas vezes em 1960).Em 25 de agosto de 1961, o estilo da carta renúncia. Diz o texto: "Retorno agora ao meu trabalho de advogado e de professor."O que planejava Jânio Quadros?Ele planejava, com a renúncia divulgada em Brasília, aterrissar no aeroporto de Congonhas, onde o Viscount presidencial seria cercado pelas "massas" ? o que seria um pretexto para voltar ao poder "nos braços do povo".Jânio Quadros não queria sob nenhuma hipótese fechar o Congresso Nacional, pois, poderia faze-lo com um cabo e três soldados. Ele pretendia o respaldo político e parlamentar mais amplo para suas reformas; Jânio Quadros nunca perdeu a chance de amaldiçoar os partidos políticos e o Congresso, e de tanto fazê-lo, acreditava piamente no que dizia.Jânio sempre demonstrou desprezo pelos partidos e pelo Poder Legislativo. Ao longo de sua carreira trocou de legenda sucessivamente. Renunciando a todos e no mesmo estilo de carta que imprimiu sua marca pessoal.O estilo agressivo e independente de Jânio reverberava como algo bem mais poderoso que uma vassoura: era a alavanca, o bisturi gigantesco e destemido de que o País precisava.- "A renúncia foi mais um gesto teatral, a que ele (Jânio Quadros) se habituara. Contava, certamente, repetir a cena que fizera quando da sua renúncia à sua candidatura à Presidência da República, aliás, por duas vezes e no mesmo estilo. Jânio era o golpe." Afirma marechal Teixeira Lott.Após a renúncia de Jânio Quadros, com a responsabilidade de ser um dos três detentores do Poder Civil durante umas poucas horas, o marechal Odílio Denys, Ministro da Guerra, recebeu a visita do Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, para lhe dar ciência do ato da renúncia voluntária do Presidente da República, foi inquirido sobre a causa ou causas do estranho ato de Jânio Quadros.A resposta do marechal Denys ao DeputadoRanieri Mazzilli foi a seguinte:- "Temperamento."Jânio Quadros tinha a obsessão da renúncia e foi um ato teatral. Oscar Pedroso Horta traiu Jânio Quadros, quando não rasgou ou pelo menos não retardou a entrega do documento da renúncia. Horta deveria ouvir os ministros, os Governadores amigos e os líderes da campanha janista. Que "razões próprias" deve ter tido o ministro da Justiça, Pedroso Horta para o açoamento da entrega do documento da renúncia?A bagagem de Jânio Quadros já estava pronta desde a véspera da renúncia, antes de saber da denúncia de Carlos Lacerda. Jânio Quadros, ao participar dos festejos do 25 de agosto, Dia do Soldado, em Brasília, estava com uma fisionomia alegre, na manhã do dia da renúncia. É semblante de quem antegozava uma grande travessura.Este depoimento é concludente, quando confessa Jânio Quadros ao seu ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta, que Jânio Quadros esteve diante de um Congresso que não atendia, que não obedecia. Horta tentou várias vezes uma aproximação entre o Presidente indócil e o indócil Congresso Nacional. Afinal de contas, Jânio quando Governador "renunciou" pelos mesmos motivos.A renúncia de Jânio Quadros foi uma espécie de chantagem com o Congresso, com os militares e com as forças políticas com quem ele estava em choque.
(*) Nelson Valente



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