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Eu cantei já, e agora vou chorando
(Camões)

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Camões - poeta maior - exprime o seu sentir através da Lírica, em
maravilhosos sonetos. Por exemplo, no soneto 'Eu cantei já, e agora vou
chorando', o canto surge com uma dupla finalidade. Por um lado,
designando uma acção passada - eu cantei já... , e, de uma forma serial -...e
agora vou chorando o tempo que corporizasse, com uma dupla localização
- ele é o tempo e o espaço, encontrado na escala do poema, definindo a
tensão que se desenvolve.

Esta duplicidade remete para um duplo engano do eu em que este sente a
sua própria fragilidade, assumindo o passado por - ledo -, em oposição ao
presente, - tão triste -(ou seja, reflecte sobre o seu próprio estado) outro,
em que o estado em que está é provocado por uma acção exterior - fizeram-
me cantar.../cantava, mas já era ao som dos ferros....

Deste ponto de vista - o sentir do poeta vai criar uma situação em que o
olhar não é físico (não tem nenhum referente exterior) mas interior,
explorando a sua memória e tranformando-a num corrente geradora onde o
presente - das lágrimas - vai encontrar a sua conexão.

O passado como perdido, do ponto de vista que que existiu a felicidade mas
em que, simultaneamente e - ...ao som dos ferros - anunciou o presente,
que é o tempo da dúvida, da estranheza onde, como diz o poema : Mas eu
que culpa ponho às esperanças/onde a Fortuna injusta é mais que os
erros. Entre a Fortuna (ou o destino) - entidade de carácter superior, e os
erros colocados do ponto de vista do humano - do individual, podem levar a
outra consideração: é o presente, em que tudo é mau, que sonha o passado,
alegre, e que neste movimento se interroga sobre a capacidade de existência
da esperança (as confianças, as esperanças. ..), dominada por um destino
injusto. É uma expectativa, gerada por um mundo em mudança, como
no soneto 'Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades' em que a questão
se pode colocar quase nos mesmos termos - e do bem, se algum houve, as
saudades ... - . Sublinhe- se algum houve - porque parece que esta dúvida
está também presente no soneto 'Eu cantei já...' nomeadamente pelo que
de premonitório o passado tem - quase como um bem que foi atraiçoado, e,
principalmente, pelo verso - De quem me queixarei, que tudo mente?

Ligado estreitamente à mudança, a falta de confiança num - tempo ideal -
(como referido, não é uma linha contínua que liga o passado ao presente,
mas sim uma ruptura, a consciência de um - tempo mau - que se sucede a
um - tempo bom) faz do poeta um ser dividido, - já um pouco fora da
imagem que o Renascimento fazia transparecer, do homem feliz, uno - aqui
o homem já engloba em si os contrários, é a tomada de consciência de um
desconcerto - de um tempo transitório, de mudança e transformação.

Miss Pink



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