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E O PAPAI NOEL NAO VEIO
(SINVALINE PINHEIRO)

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E O PAPAI NOEL NÃO VEIO

Todo funcionário trabalha com o propósito de comprar o carro novo, viajar no fim de ano com a família, curtir as férias tão merecidas.
O trabalhador aqui consegue. Com muitas dificuldades, economias forçadas durante anos, realiza o sonho tão almejado, o carro novo.
Improvisou uma garagem para guardar a sua preciosidade. Recomenda à mulher para não deixar as crianças brincarem por perto e vai para o trabalho de ônibus, poupando assim surpresas desagradáveis.
Aquele monumento ali na área, foi muita novidade para a pequena com quatro anos de idade. Levou sua boneca para apreciar também. Que tal brincar de casinha? No espelho retrovisor mirava os cabelos, fazia maquiagem e sorria falando alto com a boneca.
Para se ter uma casa de verdade, era preciso demarcar os espaços. Metade do carro seu, metade da boneca, pensou, pensou... Um prego ajudaria. E inconscientemente ela fez os traços preciso, forçou a mãozinha, o prego afundou e as divisas foram feitas.
Brincou feliz toda a tarde, depois lanchou e abraçada à boneca, dormiu satisfeita. No seu sono tranqüilo não podia imaginar o mal que estaria por vir...
A tardinha chega cansado o dono do carro. Ao passar pela garagem, quase desmaiou. Seu carro novo todo arranhado, riscado! Sentiu-se mal e começou a gritar. Mãe e filhos acodem assustados. Ele berra apontando para o carro: - quem foi, quem foi?
A pequena baixa a cabeça, se confessando. Ele a agarra pelos cabelos, a sacode perguntando: - por que, por que? Ela aponta para debaixo do carro, chorando. A arma do crime estava lá: um prego enorme, enferrujado, maldito!
Como um autômato ele pega o prego, risca a mão da menina que grita indefesa. Quando a mãe conseguiu livrá-la, a mãozinha já estava bastante machucada.
No hospital, febre alta, convulsões e o diagnóstico – tétano. Só amputando a mão, ela poderia sobreviver. E o que tinha de ser, foi feito.
Passaram-se os dias, é Natal. Naquela casa sombria, triste, sem festa, o Papai Noel não deu as caras.
A família reunida se entreolhavam, não havia o que falar...
A menina sai do quarto, ainda tem o braço na tipóia. Observa as pessoas, se sente culpada por aquele clima triste. Olha a lacuna onde foi mão e caminha até o pai, abraça-o e gaguejando diz: - Papai, me perdoa, quando a minha mãozinha crescer de novo, não vou mais riscar o seu carro novo...
Como se todo o universo desabasse sobre ele, o pai não conseguiu dizer nada, só as lágrimas rolaram, amargas...
Saiu cabisbaixo, andou pelas ruas até à madrugada, não ouviu os sinos...
O sol já clareava o dia vinte e cinco de dezembro, quando o encontraram, sem vida, todo coberto de neve...
E o Papai Noel não veio...



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