Etica em Creonte: Antigona
(Rodrigo Alexandre)
Antigona: sinopse
Finda a guerra entre Eteócles e Polinices pelo trono de Tebas. Os dois irmãos morreem combate mútuo - Eteócles é enterrado com todas as honras de herói tebano, enquanto Creonte, tirano da polis e tio de ambos proibe que a Polinices seja dispensado quaisquer atenções.
Antígona dá ciência à Ismene, sua irmã, que o tirano ameaça punir com a morte aquele que desobecer seu decreto. Mesmo assim, Antígona decide enterrá-lo, afrontando ao regente. Flagrada cobrindo o cadáver de cinzas, conforme o costume funebre tebano, Antígona é levada a Creonte e condenada à morte.
Tirésias antevê desgraças para Creonte se mantiver sua sentença contra Antígona, pois essa desagradaria aos deuses. Após alguma relutância, Creonte volta atrás, todavia seria tarde demais para o tirano: Antígona se enforcara, deixando Haemon, seu futuro marido, em desespero. Responsabilizando o pai pelo suicídio de Antígona, Haemon tenta matá-lo, sem sucesso, e por isso suicida-se.
Eurídice, mulher de Creonte e mãe de Haemon, ao saber dos acontecimentos, também se mata. A Creonte restaria somente lamentar sua triste sina.
Análise
Sócrates
Creonte, como tirano e consequentemente legislador da poderosa cidade, ao condenar que o corpo de Polinices permaneça insepulto, não o faz na intenção de trazer o bem a Tebas, pelo contrárlo, crê que o exemplo do castigo do filho de Édipo imponha temor aos cidadãos, desestimulando-os a novas revoluções.
Sob a ótica socrática, basta saber o que é a bondade para ser bom. Creonte não se preocupa em saber o que é bom pois está entretido em defender sua posição como tirano. Por outro lado, considerasse extremamente sábio, não dá ouvidos ao aúgure ou ao seu filho e desrespeita as tradições seculares de respeito aos mortos. Arrogante, demonstra prepotência diante da corte, do corifeu e de sua guarda.
Sócrates reconhece também, acima das leis mutáveis e escritas, a existência de uma lei natural - independente do arbítrio humano, universal, fonte primordial de todo direito positivo, expressão da vontade divina promulgada pela voz interna da consciência. Creonte, ao ignorar essa fonte, não pode mais ser considerado como um homem ético.
Platão
Platão interessou-se vivamente pela política e pela filosofia política. A resposta de Platão à necessidade de se resgatar o velho sentido da Ética, da Justiça e da Moral, perdidos durante o período de crescimento e enriquecimento de Atenas, contaminados pela hipocrisia, é a "volta a uma sociedade mais simples".
O eixo da ampla reforma sugerida por Platão para construir a sociedade perfeita é a substituição da plutocracia que reinava na Atenas Imperial dos mercadores por uma "timocracia do espírito" na qual os governantes seriam os melhores dentre os homens de seu tempo em termos de conhecimento e sabedoria.
Sobre estes Guardiães pesariam tal grau de regras e responsabilidades que a escolha deixa de ser um privilégio para tornar-se um sacrifício, só concebível para aqueles que consegueriam realmente compreender que a felicidade (eudaimonia) exige perfeita identidade entre o bem comum e a satisfação pessoal. Insatisfeito com os rumos da democracia, Platão concebe um sistema de governo no qual a educação universal – rígida e valorizada – serve tanto como elemento selecionador de quais elementos entrarão na classe dos Guardiães, como elemento da formação destes guardiães.
Esta noção em certa medida vem das inúmeras ocasiões nas quais Sócrates deplorou a pouca preparação intelectual dos dirigentes, clamando que era incompreensível que para as tarefas mais triviais se exigisse preparação, mas que aos governantes bastava serem capazes de conduzir pela demagogia ou pela compra de votos à massa dos atenienses. Platão sabe que a disciplina extrema que prega a seus guardiães – paradoxalmente tão próxima dos grandes adversários dos atenienses, os espartanos – não pode ser estendida a toda a sociedade, mas a considera essencial à existência de um princípio ético de fato que guie o conjunto da mesma.
No pensamento de Platão, portanto, o reencontro da ética e da realidade se dá através de uma grande reforma social, política e econômica que torne a cidade mais simples, mais desligada dos valores materiais e mais igualitária. A preservação desta nova cidade só poderia ser feita se o poder fosse centralizado nesta casta dominante dos guardiães para os quais a simplicidade e a privação – bem como a educação – deveriam ser ainda mais rígidos.
Sob esse ponto de vista Creonte teria ordenado que seu sobrinho não fosse sepultado no intento de preservar e honrar Tebas, castigando o mal-feitor Polinice. O tirano então teria seguido sua função como Guardião, tendo ele mesmo sofrido com as decisões tomadas, mas conservando a ordem na cidade. Dái podemos concluir, que segundo o conceito da Cidade Perfeita de Platão, Creonte foi ético ao sacrificar a alma do sobrinho e a vida dos seus em função da cidade.
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