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Situação da Água Doce em Números
(Millôr Godoy Sabará)

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A degradação dos ecossistemas de água doce, antes restrita às regiões densamente povoadas e industrializadas disseminou-se por quase todo o planeta atingindo as áreas mais remotas. Estima-se que 70 a 80% dos rios, lagos, represas e áreas alagadas já estão ecologicamente comprometidas, além disso, entre 1983 e 2000 houve uma diminuição de 24% na média mundial da quantidade de água descarregada pelos rios nos oceanos. Esta degradação despertou crescente demanda da sociedade por ações para mitigação, reabilitação e conservação dos ecossistemas de água doce. Um dos pontos para a racionalidade dessa recente preocupação ambiental vem do exame da distribuição das categorias de água no planeta. O total de água na Terra é estimado em 1 340 000 km3, com cada quilômetro cúbico contendo um bilhão de litros. A água superficial continental (lagos, represas, rios e áreas alagadas) soma 214 km3 (0,016% do total da água planetária) sendo que 43,5% dessa água (93,3 km3) estão em lagos salobros ou salgados. Dessa forma, a grande reserva de água doce está em lagos, representando 55,9% do total das águas sobre os continentes (0,009% da água planetária) com volume de 119,8 km3. Se somarmos a água dos rios (1,1 km3) existe aproximadamente 121 Km3 de água doce superficial na Terra (0,00908% do total). A razão para a quantidade ínfima contida em rios, se comparada aos lagos, é que os primeiros são ecossistemas de passagem, ou seja, estão devolvendo aos oceanos o excesso de água em relação à precipitação, com tempos de residência baixos.
Numa comparação para melhor compreensão desses números, de cada 1000 litros de água, somente 0,091 litro é água prontamente disponível, de uso imediato. Água salgada e salobra soma 968,27 litros, inutilizável para higiene pessoal, lavar roupas, limpar a casa ou preparar alimentos. Dos 31,63 litros restantes, 19,9 litros estão na forma de gelo e 11,7 litros é água subterrânea, de composição química e física muito variável e difícil acesso. A água subterrânea tem sua qualidade influenciada pelo solo e rochas onde se encontra, tornando-a, em alguns casos, imprópria para abastecimento. Isso é comum em áreas calcáreas, ou em regiões com rochas ricas em ferro e manganês, onde a cor e turbidez são elevadas.
Outro ponto que merece ser destacado é o crescimento exponencial da demanda por água doce no século XX. Em 1900 a humanidade utilizava cerca de 500 km3 ano-1. Hoje, esse consumo alcança 5500 km3 ano-1.. A demanda cresce cerca de 598 milhões litros por ano. O maior consumo de água doce está na produção de alimentos, e não na cidade ou indústrias. Pelos dados anteriores, as reservas de água doce (somando-se a água subterrânea e superficial), mesmo com erros nas estimativas, não deve ultrapassar muito a 8000 km3. O que está mantendo a possibilidade de expansão, especialmente da agricultura, é a água subterrânea. No entanto, não sabemos ao certo o quanto dessa água é de qualidade apropriada, sem contar o custo de sua adução, sua distribuição espacial irregular e tempo para recarga é geralmente alto, ou seja, pode-se remover água subterrânea mais depressa do que a natureza consegue repor. Rios renovam suas águas em cerca de 15 dias. Lagos podem precisar de 10 anos para "trocar" a água armazenada. As reservas de água profunda podem precisar de até 50000 anos para renovação.
No ano 2000, cerca de 1 bilhão de pessoas viviam com menos de 5 litros de água por dia, ou seja, tecnicamente sem acesso à água potável, e quase 4 bilhões tinham que sua fonte de água num raio de 1 km de suas casas. Várias doenças são veiculadas pela água, como a poliomielite, hepatites e cólera.
A melhoria e manutenção da saúde das populações humanas dependem, portanto, de um suprimento de água doce que possa ser colocado dentro de padrões de potabilidade. Quanto melhor a qualidade e a quantidade dos mananciais de água doce superficial, mais barato será seu tratamento e maior seu acesso. Usos do solo que conservem a qualidade física, química e biológica das águas superficiais são os mais sustentáveis do ponto de vista social, pelo menor custo de adução e tratamento e distribuição.



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