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Da Mulher e da Saudade
(Gurtto Myers)

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Ao Rabi Chaim Weiner Diz o Professor Paulo Borges em Da Saudade, inspirado em Teixeira de Pascoaes que este refere: “Também há-de chegar o dia em que eu próprio nunca existi. E há-de chegar também o dia em que o mundo nunca existiu: o mundo, o Sol e as estrelas...” – Teixeira de Pascoaes, in O Bailado – “Instantes há em que, desprevenidos e sem intenções, livres dos hábitos mentais e emocionais, subitamente nos surpreendemos trespassados de um inefável sentimento de infinito, plenitude, felicidade, potência, luminosidade e liberdade. Não somos senão isso que sentimos e sabemos então, pela mais simples evidência, ser essa a realidade e verdade primeira, última e eterna de tudo”. Isto será o amor ou a trama da existência? A Ciência já não chega, leva-nos a reconsiderar os conceitos de mistério e sobrenatural, dando-nos a oportunidade de buscar respostas na transcendência, na vivência mágica do mundo e a nós, da mulher. Diversos teóricos, a partir de Sigmund Freud, tentaram explicar e explicitar questões difíceis, delicadas e contraditórias acerca da feminilidade, abordando seus matizes biológicos, anatómicos, sociais, históricos, culturais e comportamentais. Contudo, Carl Jung e Jacques Lacan utilizaram frequentemente o pensamento mítico-simbólico para confirmar as suas análises e conclusões sobre o eterno desejo de individuação ou independência da mulher. No maravilhoso, isto é, no transcendente jogo dos contos de fadas e nas teorias de Jung e Lacan se inspira este motivo dos contos de fadas que Bruno Bettelheim virá a desenvolver na sua Psicanálise dos Contos de Fadas. Os contos de fadas têm em sua origem muitas controvérsias. Os textos fontes ou matrizes desse caudal da literatura folclórica e mitémica são de origem anónima e colectiva. Em 1697 Charles Perrault escreve o livro Contos da minha Mãe Gansa e inaugura uma forma de destinatário particular da sua imaginação: a criança. Nesse mundo existe o Bem: um bem particular sem oponíveis nem antinomias. A partir de 1835, Andersen consegue a fusão do pensamento mágico dos contos de fadas (de origens arcaicas) com o novo pensamento racionalista daqueles tempos, inaugurando assim a Literatura Infantil Romântica. E, como não existe apenas uma interpretação para os Contos de Fadas (por estar inserido na plêiade literária), eles podem ser interpretados sob vários ângulos (antropológico, social, histórico, político) dos quais o analítico ou simbólico é apenas um; apenas uma chave de leitura. O mito e a ideologia sempre foram elementos de alicerce nas narrativas maravilhosas - antigas e actuais. E é nesta perspectiva, que frisamos as palavras de Terry Eagleton: não há começos nem fins, não há sequências que não possam ser invertidas, nenhuma hierarquia de “níveis” de textos para nos dizer o que é mais significativo ou menos significativo. Todos os textos são construções que são tecidas a partir de outros textos, não no sentido convencional de que trazem traços ou “influências”, mas no sentido mais radical de que cada palavra, frase ou segmento é um trabalho feito sobre outros escritos que antecederam ou cercaram a obra individual. Não existe nada como “originalidade” literária, nada como a “primeira” obra literária: toda a literatura é “intertextual”. (Eagleton, 1983). Nesta perspectiva não existe Génesis nem apocalipse, mas reinvenção permanente, irradiação pura. E quem nos liberta a criança ou a mulher? Bem Sigmund Freud nos avisa de que os desejos de individuação e de identidade não são privilégios femininos, mas sem dúvida, caracterizam o feminino. Freud questiona se a psicanálise teria parâmetros conclusivos sobre o que é específico do masculino e do feminino. Afirma que os dados biológicos e anatómicos seriam insuficientes para definir o que é masculino e o que é feminino, atribuídos na cultura e na literatura, às funções reais e simbólicas – as marcas e alegorias (Moisés, Massaud. Dicionário de Termos Literários. S. Paulo. Cultrix, 1974) do feminino e do masculino - inerentes ao homem e à mulher. Ambos vivem as identificações e ligações da fase pré-edipiana; ambos têm complexos edipianos masculinos e femininos. Existe, subjacente a estas distinções ou convergências, um duplo padrão de moralidade que leva as mulheres a confinarem-se ao espaço doméstico-residencial, enquanto que os homens se abrem muito mais ao espaço exterior. Desde logo, devido aos subtis, profundos e persistentes mecanismos da socialização familiar, assentes em mecanismos sócio-culturais de construção do género. Podemos todavia considerar uma escrita como típica do género feminino, pois observamos características marcantes deste tipo de escritura como em Simone de Beauvoir, Jane Austen, Gabriela Llansol, Rita Ferro, tais como: a importância que a autora atribui à forma como se diz em detrimento daquilo o que se diz; a evasão ou ruptura, ou continuidade do símbolo perfeito da fidelidade, lealdade e subserviência conjugal, que já com Penélope reflecte o papel da mulher propagado ao longo dos tempos pelas sociedades patriarcais, a preocupação com o som das palavras; a inflexão da voz, o grão da voz; o tom oralizante da escrita; o ritmo de respiração e os movimentos respiratórios do texto (frequentemente Circular como a volúpia exterior e sensível do corpo). Isso não acontece em Hannah Arendt ou em Marlene Zarader ou Rocha Pereira. O discurso é atravessado pelo corpo (o corpo do narrador), numa busca pela materialidade da palavra, que procura fazer do “signo” a “coisa” em si. Desta forma, são os contos clássicos, nas suas estruturas e temas, os textos fonte para os actuais contos de fadas desde os Grimm até ao Orçamento de Estado português.



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