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CADA POEMA UMA HISTÓRIA
(Francisco Itaerço Bezerra)

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“Ó poetas de gabinete,
Que da vida sabeis apenas a lição dos livros,
Vossa poesia é um jogo de palavras.
Vossa poesia é toda feita de habilidades de estilo,
Sem a marca um pouco suja da experiência vivida.
(...)
Para vós não existe a vida: existem os temas poéticos.”









Rui Ribeiro Couto foi um jovem e ativo membro do movimento modernista de 1922. Paulista, além de escritor era diplomata, tendo morrido, comme il faut, na França, em 1963, aos 65 anos. Ele é o autor dos versos acima, que me acorrem quando leio os poemas de Francisco Itaerço Bezerra neste seu livro de estréia.

Pois o livro Cada Poema Uma História é de vida feito. Pode não ter aquela “lição dos livros”, aquele “jogo de palavras”, aquelas “habilidades de estilo”, mas os poemas estão encharcados de “experiência vivida”, inclusive as experiências “sujas”, revoltantes, doloridas -- até porque, em poesia (é o francês Valéry quem canta) faz-se música com a própria dor.

Existe dor nos poemas de Itaerço, mas também existe amor (dor e amor -- mais que rima, realidade). Existe história e existe mistério. Existem esperanças (no futuro) e resistem lembranças (do passado). Existe a interrogação ante o que não se sabe e existe a indignação ante o que se presencia.

É a condição humana, é a própria história em cada poema. Para Itaerço, o verso é meio, não fim. É o instrumento da sua expressão. É a ferramenta adaptada. Itaerço não faz arte pela arte, mas arte pela vida. Ele não se bate tanto assim pela vida da poesia: ele quer é a poesia da vida. Não faz metapoesia, mas comete também a poesia que não se submete e se (intro)mete como veículo, a transportar, com sentido, carradas de sentimentos, sensações, sensibilidades.

Revisar, ordenar, sugerir, editar, revisar de novo foram ações que me permitiram, ex officio, maior proximidade em relação à gênese dos textos e ao gênio de seu autor. Posso dizer, assim, que não é perfumaria a emoção dos versos, não é aparência a espiritualidade do escritor, não é máscara a exaltação à amizade, à família e à irmandade, não é fingido o sofrimento ante os problemas que causamos à natureza, não é demagógico o descontentamento com as coisas da política, nem é de superfície a perplexidade ante outras asnices do homem, que ainda não convalidou que ser humano é a única razão -- humana -- de ser. O autor anuncia e denuncia, pois “poetas não podem calar-se”, como poemava Goethe.

Francisco Itaerço, decididamente, não é poeta de gabinete. Aprendeu lá fora, com a vida. Vida tida, vida curtida. Vida sofrida, vida querida. Vida vivida.

Vida. Verso. Viva! (EDMILSON SANCHES - [email protected])



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