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A alternativa dos painéis a base de madeira
(Pinheiro; L. A. F. V.)

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Por painéis a base de madeira entende-se toda uma gama de produtos sólidos planos ou moldados a base de madeira seja ela laminada (compensados), em partículas (aglomerados) ou de suas fibras (chapas de fibras). É um mercado em rápido desenvolvimento tecnológico em busca de novos produtos economicamente mais competitivos (como o OSB) ambientalmente menos agressivos (como o MDF) e visualmente mais atraentes (como as lâminas faqueadas). Produtos sólidos a base de madeiras podem substituir praticamente qualquer uso da madeira sólida serrada.

Dentre os diversos tipos de painéis os que tem maior dependência de madeiras tropicais, principalmente em alguns nichos de uso como movelaria é o compensado. Entretanto a possibilidade de utilizar Eucalyptus ou Pinus para as lâminas internas e as madeiras tropicais para as lâminas externas é um alternativa que possibilita maximizar a exploração de florestas naturais e o principal valor agregado de suas madeiras que é visual. O compensado apresenta como vantagens a estabilidade dimensional e a inexistência teórica de limitação em termos de tamanho do painel. As industrias brasileiras são normalmente familiares e esta possibilidade de verticalização da produção é interessante para a geração potencial de empregos e novas pequenas e micro empresas.

O sistema de exploração poderia ser aprimorado usando critérios como os propostos pelo IMAZON (1998) e a laminação agregaria valor ao produto potencializando todo um novo sistema de processamento. A fração do mercado que é seduzida pelo apelo visual das madeiras tropicais seria contentado com este tipo de produto. E o resíduo que neste caso é basicamente composto pelo rolo resto poderia ser destinado a lutheria (fabricação de instrumentos musicais) que trabalha com peças curtas e a machetaria para os resíduos de madeiras tropicais. Para o rolo resto da fabricação de lâminas internas existem diversas alternativas como lenha, energia celulose ou mourões.

Tanto o aglomerado como as chapas de fibras são usinados sem a necessidade de madeiras tropicais. Embora o uso dos resíduos atuais da exploração madeireira possa ser considerado um material potencial para a fabricação de painéis a tendência desejável é cada vez mais serem utilizadas madeira oriundas de plantios comerciais. Ambos os processos de fabricação geram muito pouco resíduo, e nenhum deles necessita de madeira com grandes dimensões.

Para aglomerados e chapas de fibras podem ser utilizados os plantios existentes hoje no país planejados originalmente para celulose. Isto pode elevar o preço da madeira no mercado e estimular a utilização e áreas degradas ou menos degradadas ou até o envolvimento de pequenos produtores. Para a laminação é necessária a condução dos plantios afim de obter toras de diâmetros superiores. Mesmo nos plantios atuais de Eucalyptus isto pode ser obtido com o sistema de talhadia composta deixando no campo brasões (até 100 árvores/ha) que serão retiradas no segundo ciclo de corte.

É fato que a produção de painéis apresenta uma eficácia alocativa superior a industria madeireira baseada em madeira tropical sólida existente. Tanto as pressões ambientais como a redução crescente na disponibilidade de madeiras tropicais com grandes diâmetros economicamente viáveis a exploração devem abrir o mercado para os painéis a base de madeira e outros produtos sólidos a base de madeira. A tendência de redução no mercado de madeiras tropicais já e; sensível na nível global e grandes produtores como a Indonésia e a Malásia estão com suas reservas praticamente esgotadas, ou devastadas. Mesmo as previsões mais otimistas não prevêem grande longevidade para este mercado, pelo menos não nos moldes que conhecemos atualmente.


Impactos da expansão do mercado de painéis na devastação das florestas tropicais

Como principais impactos da expansão do mercado de painéis destacam-se:

1. Redução do mercado para madeira serrada no Brasil.
2. Redução da área explorada anualmente na região Amazônica.
3. Estimulo a renovação tecnológica das serrarias existentes nas regiões madeireiras.
4. Necessidade de maior planejamento na exploração dada a necessidade de madeiras em condições específicas para a laminação.
5. Redução do resíduo comparativamente com o desdobro.
6. Redução na emissão de carbono atmosférico resultante das queimas de resíduos.
7. Aumento do valor agregado à madeira tropical em função da laminação.
8. Estimulo à criação de pequenas empresas de compensados.
9. Aumento no preço da madeira de Pinus e Eucalyptus nas outras regiões do país
10. Envolvimento potencial de pequenos produtores de madeira para fins múltiplos.
11. Verticalização na produção de móveis e conseqüente geração de mais empregos.
12. Redução no volume total de resíduo em relação ao produto final.
13. Rompimento do ciclo de devastação das floresta tropicais.
14. Diminuição das áreas disponíveis a sistemas agrícolas ineficientes.
15. Alteração da relação custo x beneficio de aporte tecnológico sustentável nos sistemas agrícolas.

Um dos aspectos que este trabalho procurou enfatizar é que o mercado consumidor final tem um papel preponderante na definição das tendências. Seja por educação, ou conscientização a escolha do consumidor vai definir, em última análise, a velocidade de assimilação dos painéis a base de madeira no Brasil. E na outra ponta esta decisão vai estar poupando alguns hectares de floresta Amazônica.



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