DOIDÃO
(José Mauro de Vasconcelos)
Zé não gostava de matemática, mas gostava de geografia. Queria conhecer o mundo, os rios, as ilhas, as selvas, os índios. Quando via uma bandeira ficava a sonhar em ir para a Legião Estrangeira. Diziam que geografia era matéria de vagabundo. O pai do Zé e do seu amigo Tarcísio se preocupavam com o futuro deles e pediam para que pensassem o que queriam fazer após terminar o ginasial. Tarcísio pensou em ser submarino, mas foi fazer Direito. No caminho para a escola passavam em frente a uma casa que uma linda menina ficava na janela. Gostavam de subir na mangueira para bater papo, época em que Zé tinha quatorze anos, seu corpo mudando, a barba nascendo. Aos dezenove anos os dois amigos sobem novamente na mangueira e relembram o passado. Zé continuava morando em Natal, fazia medicina, mas desistiu e Tarcísio estudava Direito em Petrópolis e desistiu for falta de dinheiro. Zé disse que precisava deixar de fumar e voltar a nadar. Relembra seus quinze anos, quando entrou no mar a nadar e quase morreu, sendo salvo por um barco. Descobriu onde morava Sylvia, a garota que ficava na janela, foi até lá, deu um sinal e ela desceu para conversar. Ela disse que namorava Nenéio, mas combinaram de se encontrar no baile de carnaval no Teatro Carlos Gomes. Nenéio descobriu tudo e viajou para o Ceará. Zé e Sylvia dançaram os três dias de carnaval, andaram pelas ruas, sentaram em um banco e se beijaram, ficando muito apaixonados. Toda à tarde Zé ia nadar e passava pela casa de Sylvia que o esperava no portão, para ganhar um beijinho.
O pai de Zé contou-lhe que dentro de três meses ia passar por uma cirurgia, mas pediu segredo. Quando Zé era criança, levava muitas broncas do pai, mas agora os dois se entendiam bem. Zé tinha duas irmãs sendo a mais velha irmã de sangue e muito chata, se intrometia em todos os seus assuntos enquanto que a mais nova era irmã de criação e era muito solidária. Zé ajudava a mãe a fazer as compras do mercado no período da manhã, à tarde dia nadar. Depois acabou arrumando um bico no Porto para descarregar navio a partir das dez horas até amanhecer, contando a carga que não poderia ter erro. Gostava de ir à praia com uma tanga bem curta. Um dia o delegado chamou-lhe a atenção e ele quase foi preso, se não tivesse saído correndo, por tê-lo desafiado. O namoro de Zé e Sylvia era indecente. Os amigos do pai de Zé chamavam a atenção, mas ele dava má resposta. Zé disse ao pai que ia se casar, mas ele o lembrou que sem emprego era impossível. Zé tinha vinte anos e Sylvia quase dezessete anos, mas iam ao cinema acompanhados do irmão de Sylvia. O pai de Zé tinha um consultório e era diretor do Hospital dos Alienados. Um dia passou mal, vieram os médicos e ficaram até amanhecer, quando ele melhorou. À tarde, Zé entrou na igreja o orou pedindo a Deus para ajudar seu pai na operação, que ele deixaria de nadar. O pai de Zé foi operado e quando voltou para o quarto, pediu a Zé que terminasse com aquele namoro alegando que não ia dar certo. Zé atendeu ao pedido do pai, mas se tornou um rapaz triste, sem a natação e sem a garota, perdeu a vontade de ajudar a mãe nas compras do mercado, ia para a farra e bebia. Relembra sua infância quando escondia pregadores de roupas, gilete velha, faca sem cabo, em sua mina no olho do pé de sapoti, para usar quando fugisse para o Amazonas. Sonhava em ser o Deus branco de uma tribo imensa. Zé encontrou Sylvia na pracinha e voltou o namoro. Pediu a seu pai, dinheiro para prestar concurso para o cargo de conferencista da Marinha Mercante. Seu pai atendeu e ele saiu com as palavras na mente: “Geografia é matéria de vagabundo”.
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