DOM CASMURRO
(Machado de Assis)
Bentinho e Capitu, sua amiga de infância cresceram juntos. Dona Gloria, mãe de Bentinho viúva, tendo sido infeliz no primeiro parto, fizera a Deus uma promessa: se fosse bem sucedida no segundo parto, o filho seria religioso (padre ou freira, conforme o sexo). Por isso, estava disposta a cumprir a promessa. Bentinho iria para o seminário. Em uma tarde de novembro, em 1857, quando Bentinho “se sente nascer...” tinha ele quinze anos e Capitu 14 anos. Ouviu às escondidas uma denúncia de José Dias, um agregado de sua família, sobre os perigos das “intimidades” que mantinha com Capitu com quem crescera e de quem era vizinho. A denúncia provocou na mãe de Bentinho, D. Glória a obrigação de cumprir a promessa que fizera em seu nascimento. Bentinho deveria ir para o seminário. Ao menino, José Dias “o denuncia a si mesmo”: descobre a partir daí que ama Capitu e que por ela é correspondido. Trocam as primeiras carícias, os primeiros beijos, as primeiras ironias amorosas. Justina, prima de Glória, que vivia em casa desta e a quem Bentinho suplica que interceda com a mãe em seu favor, se nega. José Dias, velho empregado da casa, diz que o problema não é fácil, pois o melhor é, antes “aplainar o caminho’. O próprio Bentinho, de índole tímida tenta falar com a mãe, mas nem sequer consegue dizer-lhe o que quer. Capitu e Bentinho perdem as esperanças de evitar o Seminário. De qualquer modo, amando-se sinceramente, juram que aconteça o que acontecer se casarão. Bentinho vai para o Seminário, mas fica apenas um ano. No Seminário, Bentinho conhece Escobar, que se torna seu amigo e confidente. A vida agora transcorre entre os estudos eclesiásticos e as visitas semanais à sua casa. Escobar em conversa com Bentinho tem uma idéia: Dona Glória, rica que é, poderia cumprir a promessa de outro modo, isto é, custeando as despesas de um Seminarista pobre, ficando Bentinho livre do Seminário. A idéia vinga e Bentinho retorna à casa. A idéia do amigo Escobar o livra, e também à mãe, da promessa, sem que se fique “mal com Deus”: Dona Glória adota uma criança pobre para assumir a batina no lugar de Bentinho, que se forma em Direito e se casa com Capitu. Escobar, amigo de seminário, casa-se com Sancha, a melhor amiga de Capitu, com quem tem uma filha à qual dão o nome de Capitolina. A única tristeza de Bentinho e Capitu é não terem filhos, por isso fazem promessas e rezam continuamente. Até que um dia o desejo finalmente se realiza: nasce um menino, a alegria dos pais. Chama-se Ezequiel. Escobar vem morar mais próximo de Bentinho e Capitu. Certo dia, Escobar se aventura nadando pelo mar agitado e morre afogado. Bentinho tem ciúmes de certo olhar de Capitu ao defunto. A partir de então, começa a ver no filho Ezequiel (o mesmo nome do amigo, que se chamava Escobar Ezequiel). Só uma coisa principia a preocupar cada vez mais seriamente a Bentinho: Ezequiel à medida que vai crescendo, vai se tornando um retrato vivo do falecido amigo. Os mesmos traços, o mesmo cabelo, os mesmos olhos, o mesmo andar, até os mesmos tiques. A dúvida atormenta Bentinho e uma infinidade de pequenas coisas que ocorreram no passado e que passaram despercebidas, fluíam novamente em seu cérebro, confirmando suas suspeitas: Capitu o traíra. Um dia explode com Capitu, que não consegue encontrar meios de se recuar, pelo contrário, suas desculpas confirmam definitivamente a culpa. O adultério entre a primeira amada de seu coração e o melhor amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, é provado pela natureza: a semelhança cada vez maior de Ezequiel com Escobar, reconhecida por Capitu, que, no entanto não se confessa culpada. Bentinho leva a esposa adúltera e o filho de Escobar para a Suíça, onde deles se separa. Tempos depois, Capitu vem a falecer. Ezequiel, já moço, surge em casa de Bentinho: tornara-se a cópia do amigo Escobar. Ezequiel não fica no Brasil e, participando de uma excursão no Oriente, também morre, vítima de tifo. Bentinho se transforma em “Dom Casmurro”, apelido dado pelos vizinhos, em virtude de ser um velho solitário, que mora sozinho, auxiliado por um criado, no Engenho Novo (Rio de Janeiro), em uma casa que ele mandara construir igual aquela em que passara a infância em Mata-cavalos, ensimesmado, de hábitos reclusos e com ares de superioridade. Resolve contar sua história num livro no qual move um verdadeiro inquérito de acusação contra Capitu. Sua única dúvida, expressa no último capítulo do romance, é saber se a Capitu da Praia da Glória, local onde moravam depois de casados já estava dentro da de Mata-cavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente.Conclui Machado de Assis: “A minha primeira amiga e o meu melhor amigo, tão extremosos e ambos tão queridos, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me. A terra lhes seja leve”.
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