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Olavo Bilac - Biografia
(Adriana Fernandes da Silva)

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Olavo Bilac - Biografia

Seu nome completo era Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac - um perfeito verso alexandrino -, coincidência que alguns interpretariam como predestinação para a poesia. Seu pai, no entanto, o cirurgião militar Dr. Brás Martins do Guimarães, encaminhara-o para a Faculdade de Medicina antes dos 18 anos exigidos por lei. Esta irregularidade foi suprida por uma autorização legislativa facilmente obtida pelo médico patriota que servia no front quanto lhe nascia o filho, já ao fim do primeiro ano da Guerra do Paraguai.
Bilac abandona, contra a vontade paterna, os estudos médicos e dedica-se à poesia e ao jornalismo, ligando-se a José do Patrocínio, Raimundo Correia e Coelho Neto. Seu espírito boêmio e inconstante leva a um rompimento definitivo com o pai que não o admite nem mesmo no leito de morte. Sabe-se, no entanto, que, depois de morto o velho ranzinza e autoritário, foi encontrado debaixo do seu colchão, e todo manuseado, o volume POESIAS que o filho editara em 1888, em São Paulo, aonde fora em vão tentar regularidade na faculdade de Direito. Seu destino era mesmo a poesia e o jornalismo e... mais tarde uma tremenda adequação à vida burocrática.
Quanto aos amores, chegou a ser noivo de Amélia de Oliveira, irmã de seu amigo Alberto de Oliveira que juntamente com Raimundo Correia, saudou com entusiasmo seu livro de estréia. Mas como havia outro irmão engenheiro que não gostava de poetas boêmios e impediu o casamento. Bilac ficou solteirão e Amélia manteve-lhe até o fim fidelidade espiritual.
Em 1893, por ocasião da Revolta Armada, refugiu-se em Ouro Preto - ex-capital de Minas. Dali, por escândalo em que se envolvera no Hotel Martinelli, passou por Juiz de Fora. Uma vez no Rio, foi detido, mas obteve a liberdade por interferência do florianista Coelho Neto. No Governo Campos Sales -; 1898-1902; foi nomeado inspetor escolar. Em 1906, o Barão de Rio Branco, seu amigo e admirador, o nomeia delegado a duas Conferências Pan-Americanas, uma no Rio e outra em Buenos Aires. Bilac fez quase vinte viagens ao exterior e em 1913, estando em Paris, foi eleito pela revista francesa Fon-Fon - ; Príncipe dos Poetas Brasileiros. Poucos dos nossos escritores gozaram de tanto prestígio em vida como ele.
Em agosto de 1914 explode na Europa a I Grande Guerra. O governo Venceslau Brás se preocupa e acha no prestígio de Bilac junto à mocidade brasileira um instrumento para a propaganda da obrigatoriedade do serviço militar. Embora criticado, Bilac sai pelo país fazendo conferências pregando o patriotismo. É preciso acrescentar que o poeta acreditava que a caserna pudesse contribuir para a alfabetização do país.
Desde a campanha modernista que a obra poética de Bilac vem sofrendo grande desrespeito pela parte intelectualizada da crítica e dos leitores. Não resta dúvida que sua poesia é fácil demais para ser considerada grande poesia. Mas há nela momentos de prazer tão descompromissados que, se a excluíssemos de nossa literatura, o certo é que esta sairia perdendo. Bilac soube como poucos compor um soneto em decassílabos e tornear uma frase elegante que, às vezes, somos levados a pensar que ele é ruim nem tanto pelo que fez mas pelo que levou os outros a fazerem: a mania do soneto com métrica, rima rica, chame de ouro e tudo mais. Há ainda hoje quem os faça à sua sombra.
O volume POESIAS, de 1888, além de uma introdução em verso chamada ?Profissão de Fé?- espécie de manifesto parnasiano - continha três partes distintas: Panóplias: poemas estritamente elaborados segundo os cânones parnasianos, com predomínio do descritivo ornamental e cheio de referência superficiais à cultura greco-latina; Via-Láctea: trinta e cinco sonetos dominados por um lirismo amoroso platônico bem kitsch, que nos convida a leitura; Sarças de Fogo: surge aqui um sátiro cujos poemas eróticos a gente só consegue ler gozando, ou seja, achando graça, o que contrasta com o espírito original. Mas, mesmo sabendo que é um erotismo que se reduz ao puro jogo bem arranjado de palavras, a gente gosta de ler poemas como -; O Julgamento de Frinéia, Satânia ou a Tentação de Xenócrates. De resto, nestes dois últimos livros e em quase todos acrescidos à edição de 1902 de POESIAS nota-se a presença de um veemente temperamento romântico, controlado a custo pela disciplina formal aprendida, já aos 23 anos, com os parnasianos Théophile Gautier, Leconte de Lisde e José Maria Heredia. Em seu livro póstumo, Tarde, o poeta produz poemas de esforço reflexivo.
Bilac, em suma, é um poeta necessário e, talvez, a única coisa imperdoável que tenha feito seja mesmo o seu cometimento épico nas sextilhas e alexandrinos de O Caçador de Esmeraldas.


Adriana Fernandes da Silva



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