Etna no Vendaval da Perestroika
(Miguel Urbano Rodrigues e Ana Catarina Almeida)
Há cerca de um ano, quando conheci o Miguel Urbano, ele dizia-me que o projecto mais importante em que estava a trabalhar era um livro, um romance escrito em parceria com a Ana Catarina centrado no tema, no espaço e no tempo da Perestroika, a suicida reestruturação do sistema socialista da União Soviética, que, tão amargamente sabemos, acabou por se transformar num infeliz retrocesso na evolução da humanidade.Desde então, em menos de vinte anos, o lucrismo, o brutal avanço da barbárie capitalista liderada pelo imperialistas estadounidenses, não mais encontrou uma força com a capacidade da União Soviética para lhe fazer frente. E esse romance, disse-me o Miguel Urbano, estava a ser escrito a partir da perspectiva dos alunos portugueses a estudarem nas universidades da União Soviética no período da Perestroika.Passaram-se alguns meses desde essa conversa, até que um dia, no principio deste ano, descubro, não me lembro se terá sido o Miguel Urbano a dizer-me ou se descobri por outros meios, que o livro seria lançado em Maio e que teria como título: Etna no Vendaval da Perestroika.Belo título pensei, e fiquei à espera de conseguir o livro para ler, o que apenas consegui este mês, Junho, já depois de termos convidado o Miguel Urbano e a Ana Catarina a virem à nossa cidade apresentar e debater o seu livro.Depois de os dois terem aceite o convite, começámos a trabalhar na divulgação desta sessão: fizeram-se cartazes, convites, painéis, e, sempre presente neste trabalho, o grande título, um título de uma carga poética forte e estranha, um título que parecia conter em si um segredo por decifrar para além do seu significado mais óbvio.Se calhar, se me tivesse logo vindo parar às mãos o livro, não pensaria tanto no título, não sei, mas a verdade é que ele vinha, pelas mais diversas ocasiões, ter comigo ao pensamento. E assim, cedi à tentação de tentar decifrar (espero que não abusivamente) o (para mim) segredo deste sonante título: Etna no Vendaval da Perestroika…Etna é um vulcão situado na Sícilia, Itália. Um vulcão com um nome feminino, tal como feminina é a palavra revolução. Ora um vulcão, pode ser um vulcão activo, passível de entrar em erupção a qualquer momento; ou pode ser um vulcão extinto, que supostamente nunca mais entrará em convulsão.Mas já houve vulcões considerados extintos, mortos, a entrarem repentinamente em acção, e desta forma concluí que um vulcão, esteja ele considerado vivo ou morto, pode sempre surpreender os especialistas que o estudam e entrar em erupção a qualquer momento: e sem aviso prévio.Vulcões existem muitos, um pouco por todo o planeta, ou seja, a qualquer hora um deles pode entrar em erupção, em qualquer lugar. Este factor de surpresa, de imprevisto dos vulcões, também tem caracterizado o movimento revolucionário progressista, da luta dos povos pela sua emancipação, pela justiça e pela igualdade contra os abusos dos poderosos.Tal como na história dos vulcões, há momentos na história dos povos em que tudo parece parado, em que determinado sistema político, se afirma como sendo o único possível e por isso imutável, e em que, a contestação a ele, a esse sistema político, é proclamada extinta.Depois da queda, em 1991, da principal força socialista de então, a União Soviética, foi decretado e propagandeado a larga escala que estávamos a assistir ao fim da história, que a partir daí estava provado que o capitalismo era o único sistema possível à humanidade para se organizar social e economicamente, que teriam de haver sempre uns quantos donos dos recursos naturais e do trabalho de todos, e que, os donos, se encarregariam de administrar esses recursos, motivados, claro! pelo bem estar da população, e não, como de facto acontece no capitalismo, por objectivos de lucro pessoal de uma minoria exploradora.Desta forma, os povos, a maioria da população explorada, teriam simplesmente de aceitar o que os seus donos decidissem; que, inevitavelmente, os interesses da maioria teriam de subjugar-se aos interesses lucristas de uma minoria supostamente bondosa.Mas não foi preciso passar muito tempo para percebermos que o capitalismo não é, como nunca o foi, reformável nem moralizável. Pelo contrário, o que o capitalismo tem demonstrado é que é, em si, um sistema bárbaro, explorador, que precisa de matar, de fazer a guerra, de ocupar, usurpar, trucidar, roubar, manipular, destruir, torturar, para manter os altos lucros, as belas vidas, da minoria dominante. E que tanto mais é esta a sua prática, quanto menor for a resistência dos povos a ela.Todavia, demonstrando que as vociferações, por encomenda, dos profetas do fim da história são falsas, nos últimos anos chegámos a um ponto da história em que,
+por falta de espaço aqui este texto continua em http://infolivratemundo1.blogspot.com/2007/07/etna.html
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