DISCRIMINAÇÃO EDIONDA
(Arimar Vieira da Costa)
DISCRIMINAÇÃO EDIONDA
Um certo dia, como um outro qualquer, fui mais uma vez atrás de emprego, pois estou com quase meio século de vida e tenho encontrando muita dificuldade de me recolocar no mercado de trabalho, que está competitivo demais, apesar de ter bastante experiência e saúde.
Soube através de conhecidos que uma grande empresa no ramo de eletro-domésticos, talvez a melhor e maior no ramo dentro do nosso país , estaria convocando funcionários para um evento costumeiro de fim de ano.
Pois bem, me dirigi até uma loja da rede e procurei pelo gerente para que pudesse verificar a veracidade do fato. Após esperar por alguns instantes, fui atendido. Como estava socialmente trajado o dito cujo me deu um pouco de atenção, até que lhe disse o motivo de eu procurá-lo.
Me olhou de cima em baixo. Com cara de poucos amigos antes que eu pudesse terminar as indagações, fui cordialmente rechaçado. Tentei novamente dialogar, dizer-lhe que há anos trabalho com vendas, sou comunicativo e já até ocupei cargo de gerência, porém sem vinculo empregatício e nem me foi dado atenção, simplesmente virou-se e me deixou falando sozinho.
Sem muita motivação, ainda assim continuei procurando, porém o desânimo me abateu. Pensei comigo. Uma pessoa quando passa dos quarenta anos, não precisa mais viver? Tenho duas filhas adolescentes que precisam muito de mim e não tenho sido o grande herói que outrora fui, apesar de elas serem bem inteligentes e compreenderem.
Me dirigi à vários lugares e nada encontrei. Bem à tardinha, voltei pelo mesmo caminho que fiz na ida, me sentindo um inútil. Quando me aproximei da loja que eu havia ido primeiro, resolvi tomar um suco ou um refrigerante numa lanchonete próxima pois estava muito calor e a sede estava agoniante.
Coloquei o paletó e outros objetos sobre uma mesa e me dirigi ao atendente, solicitando um suco de frutas. Notei que um senhor estava conversando com o rapaz que nos atendia e conheci-o de imediato. Era o gerente da loja com quem eu conversara pela manhã. E o ouvi dizer:
_Você não tem idéia das coisas pelas quais eu passo o dia todo! Além, dos problemas que tenho que resolver na loja, ainda vem durante todo o dia várias pessoas procurando emprego. Uns velhos imbecís, moleques que nada sabem, querendo trabalhar na loja. Gostaria de mandar todos os homens e contratar só mulheres, você não tem idéia de como é gratificante. Ë muito gostoso reger uma sinfonia de mulheres e ainda de vez em quando escolher uma para sair. Algumas até recusam, mas a maioria, com medo de serem despedidas, concordam. E tem mais, se for bagulho nem dou atenção.
Sem me reconhecer, pois eu estava sem paletó naquele momento, dirigiu-me a palavra:
_ O senhor mora nas redondezas?
_ Não. Sou empresário e estou apenas de passagem, fazendo um lanche, moro em outra região. Respondi-lhe.
Já estando de saída, ele volta a me indagar, desconfiado:
_ Eu já não lhe conheço de algum lugar?
Respondi-lhe sem muita cerimonia...
_ Não, o senhor está enganado ou me confundiu com outra pessoa, jamais passei por essa região.
Saldei o débito e retirei-me em seguida para minha residência. Durante o percursso fiquei refletindo e tentando entender aquilo tudo. Imaginei minhas filhas procurando trabalho e sendo usadas por um sujeito inescrupuloso como aquele. Talvez, ele tenha dito aquelas coisas para impressionar o atendente da lanchonete ou tenha mesmo de fato pensamentos imundos. Arimar Vieira da Costa
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