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Estratégia de Empresas
(VIANNA; Marco Aurélio Ferreira. Erros que as empresas não podem cometer. Conjuntura econômica; Rio d)

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[BR]
Erros que as Empresas não podem cometer
Estamos assistindo a um dos mais graves e também instigantes momentos da história da estratégia empresarial. Desde que sua metodologia foi formatada, há quase quarenta anos – considerando como pais Peter Drucker e Igor Ansoff –, talvez em nenhum outro período tantas empresas isoladas e segmentos de negócios tenham passado por uma incerteza tão grande, gerando, na maioria das vezes, dificuldades brutais de sobrevivência das próprias organizações. Mais relevante ainda é atestar que não se pode restringir esse fenômeno a uma origem específica, como, por exemplo, os efeitos do desconhecido da Nova Economia. Os casos vêm de múltiplas fontes: prejuízos gigantescos da Fiat, situação falimentar da Napster, o não menos grave quadro da World.com, a vulnerável posição da aviação civil brasileira, as crises em gigantes do setor da distribuição de alimentos e as sérias dificuldades do setor de telecomunicações. Até ícones poderosos, como a Microsoft, no âmbito internacional, e a própria Globo, no Brasil, estão longe de uma situação de conforto estratégico. Sem considerar que, no meio do caminho, uma empresa longeva e tradicional como a Andersen pode ter seus dias contados no rescaldo do escândalo Enron. Diante de tanto resultado errado, cabe questionar onde os métodos de planejamento estratégico poderiam criar um sistema e um modelo de apoio para que opções e escolhas tivessem um grau de sucesso muito maior. Uma reflexão mais profunda nos leva necessariamente aos fundamentos da gestão, aos atributos das empresas feitas para durar, onde temos de colocar o contraponto: porque várias organizações, em número até maior, estão indo muito bem, obrigado. Para cada caso citado – com pouquíssimas exceções – de uma empresa em dificuldade pode ser citada, pelo menos, uma concorrente em ótimo estado de saúde. Por mais simplório que possa parecer, o desenvolvimento estratégico sustentável é obtido através do conservadorismo financeiro e do cuidado no gigantismo das decisões de crescimento, – usando as palavras de Arie de Geus. Megalomania, apostas de tamanho errado, crescimento fora de controle e má gerência de riscos são causas diretas de uma boa percentagem dos fracassos empresariais. No caso da Nova Economia especificamente, quem entra em um setor desconhecido deve dotar seus planos de pilares rigorosos para que o investimento no novo seja de tamanho tal que, caso mal sucedido, possa ser absorvido pelo restante dos recursos financeiros da organização ou do grupo empresarial. Em seguida, é preciso ter consciência de que tanto nestes casos como nos programas de diversificação, é necessário dominar com excelência as competências críticas dos novos segmentos. Não basta achar que tudo vai dar certo e que é fácil ter conhecimento sobre fatores críticos de sucesso de onde não atuamos. Pergunte à Promon como conseguiu sucesso no setor de telecomunicações, ou ao grupo Accor o que este fez para dominar o setor de hotelaria. Na direção contrária, questione gigantes como Odebrecht, Souza Cruz, Xerox e até a GE, respeitados ganhadores nos seus setores tradicionais, como é difícil diversificar. Aliás, difícil e caro. Indo além, é preciso, no caso dos negócios mais tradicionais, evitar o que se chama fantasia auto-imposta. Modelos de negócios se esgotam e é preciso antecipar, muitas vezes no longo prazo, que mudanças deverão ser feitas para que se continue vivo. O McDonald''s é um belo exemplo de consciência desse esgotamento, o que é comprovado por suas corajosas decisões de segmentações complementares. Recorrendo a Fritjof Capra, no mundo da complexidade, para ficar igual, temos que mudar. Lembrando o próprio slogan, há quanto tempo a Varig tem consciência de sua delicada situação financeira? Neste ponto, a lição mais importante. O suceo de um negócio, principalmente quando duradouro, gera uma cortina de fumaça que embaça os olhos e embota as mentes dos triunfadores. Isso gera uma atitude de desprezo concreto pela mudança. Acha-se que o sucesso do passado garante o sucesso do futuro. Por isso mesmo, a recomendação final: abaixo a arrogância, viva a humildade. Pergunte aos argentinos se isso não é importante.[BR]
Fonte VIANNA, Marco Aurélio Ferreira. Erros que as empresas não podem cometer. Conjuntura econômica, Rio de Janeiro, v. 56, n. 6, jun. 2002.



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