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Tarântula
(Bob Dylan)

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Fazendo um pouco de analogia ao estilo de escrever de Robert Allen Zimmerman, mais conhecido, enquanto famoso cantor de rock e folk, por Bob Dylon, seu pseudónimo musical, pode dizer-se do seu livro : A múmia do Tutankamon já está fora do sarcófago.

Nascido no Minnesota, neto de emigrantes judeus-russos, o músico norte-americano tem a assinalar, para além da sua extensa obra musical, somente esta obra literária experimental escrita em 1966, durante o que muitos consideram o pico criativo musical do autor. Reflectindo as temáticas artisticas que encontramos nas canções de Dylan : o impulso de protesto, a ironia subtil e a espontaneidade verbal, pode dizer-se, como para a sua música, que também este é um livro de intervenção e contra cultura, todavia fazendo lembrar que nem sempre boas letras de canções dão bons livros e vice-versa.

Ao longo de 147 páginas, o livro, num turbilhão de ideias, capta bem o tom "beat generation" e o espirito da época psicadélica em que foi escrito. Com uma narrativa que flui livre demais, sem pontuações que entrecortem o discurso, torna-se assim desconexa e preenchida de associações insólitas. Trata-se, pois, de um romance-poético, situado alternadamente entre a poesia e a prosa ou entre a prosa poética e a poesia prosaica, onde acontece todo um discorrer literário típico daquele tempo. O livro quebra mesmo algumas convenções gramaticais e de escrita (editáveis por serem do Bob Dylan), com textos surrealistas e alucinogénicos, onde predomina o "non-sense".

Havendo, no entanto, quem aprecie o estilo, se calhar condenado ao falhanço como obra literária, se a fama do seu autor não lhe emprestasse o prestígio do qual ela precisa, o cantor simbolo do anterior politicamente incorrecto tornou-se ele mesmo o simbolo do agora politicamente correcto. Indo contra toda a corrente crítica e passando à contra crítica de forma serrada, pergunto eu :
Como se pode justificar, por meio do êxito de vendas e do números de edições do livro, a conversão de um dos ícones da música contemporânea e o símbolo por excelência da intervenção, referência da insatisfação social e do contra situacionismo, em intocável e sacro elemento de satisfação dos sistemas agora instalados ?

Este livro mais não é, à altura em que foi concebido, do que um grito de pura revolta de uma adolescencia tardia e que de repente se vê com um poder incrível nas mãos, por consequência directa do êxito musical. Saber estar nos sítios certos ás horas certas, assim definiria eu este livro, nada mais.

BIBLIOGRAFIA : Bob Dylan; Tarântula; Quasi Edições; Vila Nova de Famalicão; 2007.



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