Poema de Gregorio de Matos
(Gregorio de Matos)
Analise do Poema Gregório de Matos, baiano formado pela universidade de Coimbra, possuía uma boa formação humanística, foram atribuídos a ele poemas líricos religiosos e satíricos. Para alguns estudiosos Gregório teria plagiado os textos de Gongora, Petrarca e Quevedo, pelo fato de dês seus poemas obterem dados semelhantes aos desses mencionados autores.No entanto, é preciso lembrar que o Barroco faz parte de uma época em que a imitação não tinha um aspecto negativo. O poeta baiano, com as poesias satíricas, registra o cotidiano com mais freqüência e detalhes. Assim, critica tudo e todos como a incapacidade dos portugueses, a nobreza, o clero, a corrupção e o relaxamento dos costumes; alem de abominar a ambição dos colonos e as transgressões morais que comente. Portanto, Gregório critica não só os poderosos mais a todos que realizam tal feito, embora, é bem verdade que preferia atacar os governantes, os religiosos e as religiosas ou ainda os comerciantes. Segue abaixo o poema a ser analisado: Nesse mundo é mais rico quem mais rapa: Quem mais limpo se faz tem mais carepa: Com a língua ao nobre o vil decepa: O velhaco maior tem sempre capa. Mostra o patife a nobreza o mapa: Quem tem Mao de agarrar, ligeiro trepa Quem menos falar pode mais increpa. Quem dinheiro tiver,pode ser papa. A flor baixa se inculca por tulipa Bengala hoje não mão, hoje garlopa: Mais isento de mostra o que mais chupa. Para a Tropa do Trapo vazo a Tripa E mais não digo porque a musa topa. Em apa, epa,ipa,opa,upa. O soneto se inicia com uma critica severa a sociedade e esta continua ao longo de dois quartetos. Neles, a preocupação do eu-lirico esta não indignação, na ganância dos colonos e na necessidade de enriquecimento que eles têm. O eu-lirico expõe a visão da arrogância dessa nova nobreza que acredita que pelo simples fato de terem dinheiro são possuidores de poder e prestigio, podem cometer atrocidades, como podemos notar no verso: “Quem dinheiro tiver pode se Papa” A terceira estrofe é composta de três versos, nos quais se percebe o ponto de vista dos menos favorecidos que se encantam com a riqueza dos fidalgos.Alem disso,podemos notar que ate a palavra Tulipa esta escrita em letra maiúscula indicando que não se trata apenas de uma simples flor e possui uma conotação especial. (...)” A flor Baixa se inculca por Tulipa.” A quarta estrofe inicia com: “ A Tropa do Trapo vazo a Tripa” O primeiro verso é iniciado com um jogo de palavras, buscando intensificar a musicalidade para toda a extensão do verso, alem do eu-lirico reafirmar sua posição no que se refere a nobreza.Ele classifica todos os nobres como a “Tropa do Trapo”, comparando os fidalgos a panos velhos,sem valor, desdenhado-os. Embora os fidalgos sejam ricos, na concepção do eu-lirico a nobreza não tem valor algum para a sociedade da época.Assim a estrofe é finalizada com mais um dos vários recursos lingüísticos usados para dar sonoridade ao verso, o eco, que reitera não só fonemas mas também palavras. Esse soneto é repleto de rimas intercaladas e figura de linguagem como a anáfora, na segunda estrofe e a aliteração que aparece em toda a extensão do soneto, sempre no final dos versos para dar o efeito musical esperado. A esse respeito observamos o seguinte comentário de Alfredo Bosi ( pag.40): Em toda sua poesia o achincalhe e a denuncia incorporam-se e movem-se a força de jogos sonoros,de rimas burlesca, de uma sintaxe apertada e ardida,de léxico incisivo, quando não retalhante; tudo o que da ao estilo de Gregori o de Mattos uma verve não igualada em toda a historia da sátira brasileira posterior. A estrutura lingüística do soneto é simples com um vocabulário popular e expressão cotidiana da época como: chupa capa e mapa, que estão presentes em outros sonetos gregorianos. No que compete a apropriação Barroca o soneto em questão se encaixa nos moldes da esquematização proposta: ”A linguagem de postura aberta ;reação ao impacto tropical, busca de uma fantasia autônoma.Concepção contraditória do real e a tensão de dilaceramento existencial, por constituir de um vocábulo simples e próprio, trazendo o ponto de vista do europeu inserido na colônia e frustrado ou ate indignado com a ostentação da nobreza desmitificando a noção de paraíso perfeito. A característica da estrutura Barroca, o Cultismo, o concretismo, silogismo , o labirinto e a descrição de imagens , o jogo de palavras, os paradoxos , o dualismo os neologismos e as figuras de linguagens , fazem parte das obras gregorianas .Gregório é um excelente representante dessa época de apropriação Barroca ,pois , no soneto escolhido para ser analisado temos a clara noção de apropriação.O soneto contem inúmeros elementos em que característico do barroco como o dilaceramento existencial do eu-lirico no momento em que critica a nobreza enquanto ao mesmo tempo faz parte dela.
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