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Na fronteira da morte
(Superinteressante)

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A morte não é mais a mesma. Uma parcela razoável de pacientes dados como mortos tem sido "ressuscitada" nas UTIs mundo afora. Várias dessas pessoas têm histórias para contar. São questões que desconcertam - e que começam a ser respondidas.
Túneis de luzes celestiais, seres igualmente luminosos, consciência descolada do corpo, uma sensação de paz. Essas lembranças incluem descrições de fatos entre a "morte" e a "ressurreição". Coisas que não poderiam ser recordadas por pessoas com atividade cerebral nula.
Pontos comuns a todas as narrações trouxeram a desconfiança de que se tratava de algo além de mentiras ou delírios. Como é cientificamente inadmissível que mortos tenham qualquer experiência, foram batizadas de experiências de quase-morte (EQM)
Sejamos razoáveis: mesmo para os céticos, não é difícil se deixar impressionar pelas histórias dessas pessoas. Assim, foram poucos os cientistas com um nome a zelar que se atreveram a explorar a área. O campo ficou livre para os esotéricos.
Isso não é pouca coisa. Se não foi encontrada nenhuma prova da existência da vida além-túmulo, também não se acharam provas de que ela não existe. Falta descobrir o que é a luz.

Lars Grael velejava em Vitória, teve uma experiência de quase-morte. Nas palavras do próprio, "é uma coisa muito difícil de descrever, só quem passou por isso sabe do que estou falando". Os relatos de EQMs são muito mais claros e detalhados que narrativas de sonhos ou de alucinações por drogas. Algumas pessoas "flutuam" sobre o próprio corpo e observam o trabalho dos médicos; outras são guiadas por parentes mortos até uma luz brilhante. O túnel, descrito por tantos, assume formas diversas. "A maioria disse ter visto um túnel longo e escuro, mas outros o descreveram como um caleidoscópio ou um túnel de ladrilhos coloridos”.
Se os roteiros são aleatórios e nunca se repetem, as impressões deixadas pela experiência raramente fogem de um padrão. Apenas 3% das experiências de quase-morte são negativas.
Qualquer um que tenha sobrevivido a uma EQM volta transformado. Passa a agir de forma mais solidária, desprendida de valores materiais. O medo da morte evapora.
As experiências de quase-morte não se encaixam na descrição do além feita por nenhuma doutrina em particular. Fica difícil, portanto, tentar explicá-las a partir da religião. Vejamos se a ciência consegue desvendar esse enigma.
Se existem, devem ser estudadas. Apesar de alguns pesquisadores enxergarem referências à EQM na obra de Platão ou em lendas indígenas, ela só ficou relativamente comum na década de 1950. Foi quando a ressuscitação cardiopumonar começou a se tornar um procedimento eficiente, salvando várias vidas dadas por perdidas.
Os resultados de estudos espantam: aproximadamente 8 milhões de pessoas, ou 4% da população americana, teriam experimentado sensações místicas de quase-morte. E quem seriam essas pessoas? Gente com a saúde mental em ordem, o que já descarta a hipótese de loucura pura e simples. Gente de formação cultural e religiosa muito diversa, o que elimina a possibilidade de um fenômeno localizado em algum estrato social.
A impressão de abandonar o próprio corpo - a chamada experiência extracorporal - é um dos componentes mais intrigantes da experiência de quase-morte. Mas ela também ocorre isoladamente em um série de situações: no uso de drogas, na meditação, durante o sono, em momentos de estresse.
Realidade ou ilusão? Para quem os vivencia, os eventos das experiências de quase-morte parecem tão reais quanto o mundo físico - se não ainda mais reais que ele. Fica o dilema: ou eles existem de fato e a mente desenvolveu a capacidade de percebê-los ou é tudo uma construção neural criada pelo cérebro e existente apenas dentro dele. Experiências extracorporais incluem lembranças de fatos ocorridos enquanto os pacientes estão desacordados. Por exemplo, um homem em coma atendido pela equipe do holandês Pim van Lommel teve a dentadura removida. Uma semana depois, reconheceu a enfermeira que lhe desdentou e disse que a dentadura estava num carrinho de instrumentos cirúrgicos - nem a mulher lembrava disso.
A neurocientista Suzana acha que as funções alteradas podem ser pistas de que o cérebro não passou ileso pela experiência. Segundo ela, a EQM não tem nada de místico - é uma pane de células que estão morrendo e, se voltarem a funcionar, não serão as mesmas de antes. Quando um paciente ressuscitado não a relata, ou perdeu a memória ou não teve o cérebro tão avariado. Para sustentar essa tese, a pesquisadora cita o estudo de Pim van Lommel: nos anos subseqüentes à pesquisa, o índice de mortalidade das pessoas com EQMs foi superior ao de quem não guardava memórias da fronteira da vida. Se a visão de Suzana estiver correta e as experiências de quase-morte forem só isso - nossos últimos passos em direção ao vazio -, nunca saberemos disso. Nem ao morrer, pois seremos reduzidos a nada. Mas a saideira terá sido boa assim mesmo.



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