Discriminação racial e religiosa
(Weber Negromonte Martins)
Segundo se diz vivemos num país abençoado, livre de preconceitos, onde a igualdade e a liberdade de expressão são totais e onde todas as pessoas vivem felizes e satisfeitas, afinal de contas até “Deus é brasileiro”. Mas será mesmo ? analisando friamente nossa condição sócio/cultural será que podemos afirmar com todas as letras que somos um povo livre ? acredito que não, vamos anlisar friamente o tema e acredito que chegarão à mesma conclusão que eu cheguei.O Brasil foi o último país ocidental que aboliu a escravidão, e não por motivos humanitários, foi por pressão da Inglaterra que precisava de mercado consumidor para seus produtos, desde esta época a raça negra tem sido “colocada em seu lugar” dentro da nossa sociedade, observe bem, em qualquer curso superior deste pais quantos negros estão estudando ? nas casas da classe média e média alta quem está na cozinha como uma “empregada” ? nas favelas do país qual o percentual de negros e pardos ? todos se dizem sem preconceitos mas se a filha chegar em casa com um negro e apresentá-lo como namorado a grande maioria não terá uma reação das mais agradáveis ! desta forma o povo brasileiro se acostumou a esta discriminação velada e sórdida, e esta discriminação não se limita à condição racial, o povo brasileiro é uma massa extremamente manipulável quando se fala em termos religiosos. As religiões que prometem a salvação eterna e a riqueza material em detrimento dos “infiéis” que queimarão nas chamas do inferno, fomentam a discriminação, a agressão, o absurdo dos ataques e humilhações aos que querem e tem todo o direito de adorar à Deus de acordo com sua consciência e com suas tradições.Envolvidos num manto de bondade e de santidade que poderíamos classificar como “pele de ovelha”, que bem poderiam se encaixar na frase do Mestre Jesus quando nos disse “são lobos em peles de ovelha”, estes indivíduos se dizem representantes da divindade e agridem gritantemente o direito à livre expressão e ao livre culto daqueles que escolheram em seu coração as formas de adoração divina que foram trazidas pelos nossos valorosos trabalhadores africanos para o Brasil. Sem conhecimento doutrinário, sem informações ou com informações deturpadas, estes atoleimados palermas classificam tudo como “obra do demônio” quando eles mesmos poderiam se intitular como os próprios demônios, pois suas atitudes criminosas e fanáticas chegam a beirar a intolerância daqueles que detonam em seus próprios corpos as “dinamites de Alá” em prol da sua fé.Diante de tais observações passamos a indagar novamente: O Brasil é um país de livre culto ? é um país de liberdade ? no Brasil somos livres de preconceito ? Infelizmente NÃO ! mesmo sabendo que em nossa constituição temos o direito garantido à livre expressão religiosa, que nosso estado é um estado laico, mesmo assim vemos a discriminação, as piadas, o desprezo e mesmo as agressões acontecerem à larga. E a justiça ? a justiça é para quem pode, muitos já me disseram que no Brasil a justiça é PPP, somente Pobre, Preto e Put... é quem sofre suas conseqüências, realmente, nas cadeias e delegacias super-lotadas no Brasil existem quantos brancos ? será que na hora do flagrante delito a justiça brasileira é a mesma para os pobres e negros e para os brancos e ricos ? infelizmente NÃO ! Por que uma igreja evangélica pode colocar um alto falante em cima de seu telhado e propagar seu culto no mais alto volume até altas horas e um templo de Umbanda tem que realizar seus cultos “quietinhos” e tendo que “calar” seus atabaques às 22 horas em ponto sob pena de ser “delicadamente” silenciado pela polícia ? Por que a igreja católica pode realizar grandes procissões e comemorações religiosas para seus “santos”, deixando a sujeira e a desorganização para os órgãos públicos limparem e um grupo de culto afro não pode oferecer às suas divindades um culto externo porque são classificados como “sujos”, “selvagens” e destruidores do patrimônio público ?vamos pensar e analisar bem, quantas vezes defendemos a igualdade e quantas vezes caímos nestes crimes velados, nestas mesquinharias escondidas, nestas hipocrisias disfarçadas e depois saímos com a cabeça erguida falando que no Brasil todos somos iguais ? Nesta semana que entra vamos comemorar o dia da consciência negra, será que este dia não é um “cala boca” ? ou é um dia de reflexão, um dia de modificação de conceitos, um dia para se despir de nossas amarras preconceituosas do passado e enxergar que neste mundo cada um pensa da forma que quiser e ninguém tem direito de interferir nisso e que todos tem que se respeitar mutuamente e cada um tem que cuidar do seu próprio umbigo ? Observando tantos outros fatos que diariamente podemos notar, que muitas vezes passam despercebidos, podemos afirmar com certeza, o Brasil é um país preconceituoso, desigual, injusto e discriminatório. Infelizmente esta é a verdade, mas uma verdade que não precisa ser definitiva, pode ser mudada, não agora porque mudar consciências que estão intoxicadas à séculos não se muda de um momento para outro, mas paulatinamente, através de uma única arma, a EDUCAÇÃO, e não falo a educação dos bancos escolares, falo da educação familiar, da educação e da conscientização dentro de nós mesmos, para nosso crescimento humanitário, reconhecendo nossa condição de livre pensadores, de respeito ao ser humano e suas liberdades individuais.
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