duras verdades
(david loge)
Mais uma vez vi-me perante uma banca de livros a preço de saldo, no hipermercado... que fazer? Lutar contra o impulso de adquirir mais alguns exemplares? Nem com o meu marido ao lado a refilar, que já tenho livros que chegue, consegui reprimir esse impulso. Também não era pelo preço de dois ou três cafés que ia ficar mais pobre e lá trouxe este Duras Verdades, numa edição de bolso da ASA, do conhecido britânico David Lodge, de quem nunca tinha lido nada. Este livro foi adaptado de uma peça teatral, escrita em 1990 e levada à cena, em 1998, no Repertory Theatre de Birmingham, tendo o autor revisto partes do diálogo, acrescentado pormenores e partes que haviam sido cortadas, mas na essência manteve a mesma história. Contexto A ?novela?, como o autor diz, desenrola-se sobretudo em torno de quatro personagens principais. Temos por um lado Adrian Ludlow, reputado escritor de outros tempos, mas que se deixou vencer pela frustação de não conseguir igualar o seu primeiro romance, tido ainda em conta como uma obra de leitura obrigatória no 12º ano e a sua esposa Eleanor Ludlow, que ao longo dos últimos, o ajudou a superar essa frustação. Por outro lado temos Sam Sharp, amigo de Adrian e Eleanor, desde os tempos académicos e que no presente vive a fama de ser um guionista requerido por todos os canais de TV. Estes três personagens, viveram um trio amoroso que vacila perante o desenrolar da história. Surge-nos então Fanny Tarrant, uma jornalista implacável, que se serve de comentários sarcásticos e coloca a nú os defeitos de gente famosa, denegrindo a sua imagem, sem remorsos alguns pela sua maldade. Após Fanny, ter entrevistado e publicado a sua entrevista a Sam, este solicita a ajuda de Adrian para se vingar da jornalista que feriu o seu ego, desvendando a sua vaidade e o seu egocentrismo. Assim, Adrian engendra um plano conjuntamente com Sam, com o objectivo de fazer uma contra-entrevista a Fanny, ou seja, Adrian deixa-se entrevistar por ela, mas no fundo ele é que está subtilmente a entrevistá-la, mas o tiro sai-lhes pela colatra... E mais não conto! Conclusão Ao contrário de algumas opiniões que já li deste livro aqui no Livra, não considero este livro brilhante, nem nada que se pareça. Tem um argumento interessante, é verdade, tem uma leitura bastante fluída, lê-se muito bem e rapidamente, mas não é de todo indispensável, é somente uma leitura aprazível e que lá fundo, bem no fundo, nos ajuda a reflectir sobre a massificação dos meios de comunicação ? o que não é nada de novo. No entanto, salvaguardo o facto de os diálogos e algumas descrições, estarem muito bem conseguidas o que faz com que a sua leitura seja agradável e acção do livro não fique áquem das expectativas. Cada vez mais o mundo é feito de gente que tenta a todo o custo ganhar a imortalidade, a imortalidade não está ao alcance de todos, mas de uma minoria que se consegue projectar num mundo finito, competitivo e influente. Neste livro essa forma de imortalidade surge através da escrita, dos romances, dos guiões de séries televisivas e através do jornalismo, haverá imortalidade que se possa perpetuar tanto como aquela que aqui nos é mostrada nas entrelinhas? Talvez não... e três dos seus personagens, parecem estar bem cientes disso. Temos então, um romancista que desistiu de escrever porque, a agonia de não ver os seus livros a alcançar o sucesso desejado era demasiado pesada e assim prefere viver à sombra daquela publicação que lhe dará a ?imortalidade? e um guionista que vê a sua ?imortalidade? na fama alcançada pelas suas séries televisivas e pelo reconhecimento que lhe é dado através de múltiplas requisições dos diferentes canais de televisão, ignorando que a fama é efémera. No seguimento disto, a personagem de Fanny, parece querer alcançar a ?imortalidade? desmistificando a imagem de pessoas famosas, colocando-as ao nível dos comuns mortais, por assim dizer, divulgando os seus defeitos e humilhando-as, deixando de lado as virtudes queos inaltecem e imortalizam. O poder dos media está também evidente, transfigura-se nos diálogos e na mensagem que é passada, onde se nota que a busca da fama é um objectivo fulcral. Aquilo que se leva anos a construir, pode ser destruído num minuto através de uma má crónica, uma entrevista pretenciosa ou uma simples nota, num jornal ou numa revista, de larga fama e lidos por muita gente ? esta é a ideia principal subjacente ao romance de Lodge, nada de novo, portanto, apenas uma achega simples, ao que já sabemos de antemão. Conseguintemente, não é uma obra de mérito, não traz nenhum achado literário ou um argumento percorrido pela primeira vez, apesar de interessante, mas acho que por ser uma leitura tão agradável, com diálogos tão vivos e tendo actualmente um preço tão sorridente, merece ser recomendado.
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