Stress: Professores à beira de um ataque de nervos!...
(Catarina Venâncio; Rita Carmo; Sónia Mendes; Rita Liberato; Mergarida César)
São vários os problemas enfrentados pela profissão docente, hoje em dia. Esses problemas passam desde a indisciplina na sala de aula até a falta de apoio por parte do Estado. Esses são os dois extremos, mas não fica por aí. Há de se reflectir também em tudo o que se passa entre estes dois extremos: violência nas escolas, falta de condições de trabalho dos professores e por fim a desvalorização social da profissão. O conjunto desses problemas faz com que a profissão docente seja considerada uma profissão de risco em relação ao stress visto serem os profissionais que mais recorrem à ajuda psiquiátrica e psicológica. O termo stress é difícil de definir, entretanto, pois apresenta conotações distintas: é sinónimo de distress (angústia, sofrimento), mas também significa: medo, necessidade de concentrar-se, ou grande êxito inesperado. O que dizer acerca das exigência e expectativas sociais em torno da profissão docente? Estas tem aumentado consideravelmente. O professor precisa ser:: educador, orientador, um amigo e companheiro, que dê apoio ao desenvolvimento do aluno e seja pai, mãe e família e que contribua para a segurança física e psicológica do aluno. Sem contar com a exigência de estarem a par das mudanças sociais que lhes impõem pressão para diversificarem o seu papel na área do ensino. Essas mudanças sociais geram diferentes reacções por parte dos profissionais, que podem ser agrupados em 4 grupos: 1) Os professores que aceitam as mudanças do sistema de ensino como uma consequência inevitável e têm atitudes positivas, procurando adaptar-se à elas. 2) Professores que sentem grande ansiedade face à mudança, gerando neles inibição. Estes acabam por continuar a exercer a sua prática como até então faziam. 3) Engloba os que têm sentimentos contraditórios diante da mudança do sistema de ensino, e, na sua maioria, não se entusiasmam em melhorar suas aulas. Por fim, o quarto grupo é o constituído pelos professores que têm medo da mudança. A ansiedade que sentem acaba por ser tão grande que, muitos deles chegam a menosprezarem-se, o que leva, em alguns casos, a certas manifestações de depressão. Através desta caracterização pode-se concluir que eles não são afectados pelo stress da mesma maneira, nem possuem os mesmos mecanismos para lidarem com este fenómeno social. Vejamos então alguns factores que contribuem para o stress. Mas antes disso vale a pena salientar que a maioria dos professores entrevistados para este estudo revelaram insatisfação com sua profissão e consideram-na stressante. Os motivos apontados são vários: a começar pela crescente desvalorização da imagem do professor, os baixos níveis de remuneração. No decorrer das entrevistas vão surgindo outros factores: quase inexistência de comunicação entre pais e professores e entre os próprios professores. Também as más condições de trabalho, a existência de um elevado número de alunos por turma, a indisciplina dos alunos. Falta de colaboração dos alunos nas actividades propostas, dificultando assim a avaliação e o cumprimento do programa. Dificuldade do professor em conciliar suas tarefas profissionais com as familiares. No entanto, se tudo fosse tão negativo, provavelmente já não teríamos professores…Nem quem se candidatasse para tal profissão no futuro. Mais do que olhar para os factores geradores de stress, importa encarar este problema pela positiva e descobrir os factores que podem ajudar a ultrapassá-lo: há professores que gostam muito da sua profissão, que se sentem realizados ao exercê-la. E, se pudessem não queriam mudar de profissão. Como conseguem isto? O que os leva a encarar com esperança e entusiasmo a realidade descrita por outros como tão pesada, em algo mais saboroso e leve? Distinguiu-se três tipos de razões: gostar de ensinar, gostar de crianças e gostar da disciplina que lecciona. Tendo estas três razões como base é possível estabelecer outros pontos de equilíbrio que irão ajudar a impedir e/ou aliviar o stress: o bom relacionamento com os alunos, ou seja, uma real aprendizagem por parte deles e em terceiro lugar adoptar atitude e estratégias em situações difíceis: calma, paciência e diálogo com os alunos. Dentro deste contexto, considerar a importância do período de férias no qual poderão recuperar o se equilíbrio pessoal e interromperem a acumulação do stress. Relembrar que actualmente existe a possibilidade de requerer um ano sabático quando já completaram oito anos de docência. O que pode proporcionar tempos de descanso, leitura, reflexão e quem sabe, trabalhar em equipas de investigação. Concluindo: o stress não é um problema específico dos professores, mas esta não deixa de ser a profissão mais afectada por ele. São necessários mais estudos que abordem esta temática e ajudem a saber lidar com um fenómeno que é característico da sociedade actual. No entanto, é mais importante realçar que as sugestões apresentadas por professores que ao longo do tempo têm conseguido ultrapassar o stress podem ajudar os que têm chegado à beira de um ataque de nervos, para que não venham a tê-lo. A própria experiência de saber lidar com o stress pode ser transmitida aos próprios alunos, fazendo uso do problema em si como instrumento para ultrapassá-lo.
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