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DOS MENTIROSOS
(Huascar P. Rodarte; Montaigne)

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O mentiroso inventivo e contumaz precisa ter boa memória para manter a coerência em suas mentiras, nas diversas vezes em que repete a história. Diz Montaigne, que se confessa dono de péssima memória e portanto sem condições de produzir grandes mentiras. Alguns, relembra ele, chegavam a julgá-lo possuidor de alguma deficiência mental, levando-o a objetar que se sua memória era deveras fraca, seu raciocínio era atilado o suficiente para compensar tal carência. A intuição de Montaigne parece concordar plenamente com o que hoje se conhece sobre os processos mentais, embora sempre tenha sido algo bastante lógico admitir a separação de memória e raciocínio mas, em caso extremos, a perda de memória pode afetar o raciocínio por dificuldade em obter e organizar dados para processar. No outro extremo relatam-se casos de pessoas que retém indefinidamente uma tal quantidade de memórias que o cérebro não consegue dar-lhes sentido, não podendo organiza-las e fazer uso delas. Esquecer é um processo de seleção de memórias tão vital que sua ausência torna a memória inútil, por falta de classificação conforme o interesse e provável utilidade. Fazendo uma extrapolação deste fato talvez seja correto dizer que a hipertrofia de uma função cerebral se dá em prejuízo de outra ou outras funções. Tais fatos talvez sejam uma pista para explicar os chamados idiotas-sábios que conseguem produzir mentalmente calendários passados e futuros, dando o dia da semana em datas escolhidas ao acaso sem a menor dificuldade.
Outros realizam cálculos elaborados, ou então, com uma incrível memória visual, são capazes de reproduzir, em desenhos elaborados, edifícios complexos, vistos uma só vez, e apenas retidos com o uso de uma memória assombrosa. E assim por diante se encontram aptidões extremas para a música, esportes, e outras, acompanhadas por uma completa inadaptação para as demais áreas da atividade humana, impedindo tarefas muito simples fora do foco de sua aptidão hipertrofiada. Estas diversas síndromes de desvios mentais seriam, em condições de vida primitivas, impeditivas da atividade normal da caça, por exemplo, mas numa sociedade de especialistas essas capacidades hiperdesenvolvidas são valorizadas e, até certo grau, seus portadores são passíveis de serem considerados gênios, quando o seu outro lado de carências possa ser aceito socialmente.
Em casos de menor desequilíbrio, numa sociedade em que a especialização é tão valorizada, deve estar havendo uma seleção pela adaptação ao ambiente em condições bem diferentes daquelas que prevaleciam no ambiente primitivo do ser humano. Permitindo, talvez, uma maior freqüência de casos semelhantes, nos quais se destaquem aptidões especialmente desenvolvidas ao lado de traços deficientes.



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