ESPINHO OU ROSA, ONDE VOCÊ SE ENCAIXA?
(Alberto Robson da C. Castro)
OS ESPINHEIROS HUMANOS GUARDAM GRANDES ROSAS, QUE TALVEZ NUNCA SEJAM VISTAS.Quem nunca se aventurou por um jardim em busca de rosas para uma dama? Mesmo que você não faça o tipo Don Juan como nos filmes românticos é bem possível que você na ânsia de levar rosas para surpreender alguém, tenha experimentado a dor dos espinhos que as protegem. Talvez você não seja do tipo exótico que conversa com rosas ou que escreva belas canções ou então talvez seja do tipo tímido que vê nas rosas uma forma de “falar”, pelo singelo gesto de oferecê-las. Na verdade eu lhes convido para vivenciarem uma experiência ao contrário.Imaginemos que estamos diante de um grande amontoado de espinhos, longos, pontiagudos, prontos para machucar que se aproxima. A quantidade de espinhos é tanta que provoca arrepios, um verdadeiro terror. De um modo geral somos seres hedonistas, não convivemos muito bem com a dor e sim com o prazer. Vivemos em uma sociedade que nos bombardeia a cada segundo com milhões de imagens de prazer e nenhuma sugestão para administrar a dor.Seres humanos, tão complexos em sua essência, são assim como grandes espinheiros. Alguns gostam da idéia, estão sempre prontos para atingir quem se aproxima. Mergulhar no universo de cada um para tentar compreender, leva tempo e diferentemente de botânicos que levam anos à fio dedicando-se ao estudo de plantas de verdade, a maioria de nós tem sempre muita pressa e não costumamos ter a paciência necessária para escalar os altos muros de espinhos para entender o sentido de sua existência. A gente nunca tem tempo para o essencial, tempo é dinheiro e quase sempre o que ganhamos nunca é suficiente para aplacar a nossa necessidade de ter cada vez mais. Quantos “espinheiros” já estiveram diante de nossos olhos e nós não dedicamos o tempo necessário para observá-los com mais atenção, entendê-los em sua intimidade? Quase sempre, ao primeiro contato com a dor da tal descoberta, partimos em retirada, por medo e por simples falta de tempo?Os espinheiros humanos, quase sempre, ampliam suas armas de forma descomunal para esconder no seu íntimo um monte de sentimentos. Se levarmos esta discursão para o campo da adaptação, tão comum na natureza, vamos encontrar a tartaruga, que sendo lenta demais para fugir, teve o casco reforçado para segurar a barra dos ataques de inimigos, até a urtiga que se bem trabalhada pode até chegar à mesa em forma de doce, no primeiro momento, para se defender, injeta na pele dos intrusos uma quantidade enorme de ácidos que provocam dor enorme, assim são as cobras, escorpiões etc. A ciência tem mostrado que estes venenos se trabalhados são a cura para muitas doenças. Como parte de um todo da natureza, vindos do mesmo pó, para onde um dia voltaremos, nós também diante de circunstâncias adversas vamos pouco a pouco elaborando formas de nos defender. É bem verdade que não temos venenos como as cobras, temos até ácidos, mas eles são utilizados em nossos processos digestivos. Nem por isso deixamos de nos proteger, diferente da maioria dos animais, nós desenvolvemos uma linguagem verbal ou não verbal e através dela criamos nossas carapaças, verdadeiras redomas a nos proteger dos “inimigos”. Para penetrar no interior desta cidadela precisamos desenvolver “armas”, “roupas especiais”, e sabendo que mesmo com elas corremos o risco de nos machucarmos. Como tudo na vida tem uma compensação, uma perseverante busca haverá de nos fazer descobrir verdadeiros tesouros escondidos por trás dos espinhos. Mais uma vez buscamos na ciência a força e a ternura necessárias para alimentar a nossa busca; quem já experimentou colocar a mão sobre a chama de uma vela, sabe que queima, mas poucos sabem que o interior da vela é frio. Foram necessários muitos anos, muitas peles queimadas e persistência para que se chegasse ao centro da chama. Por isso caro leitor a próxima vez que você estiver diante de um grande espinheiro, não saia correndo com medo, os espinhos podem sera chave para a descoberta de um grande segredo, quase sempre carregado de dor dos ataques do dia a dia ao longo da vida. Acredite, há milhões de espinheiros humanos à espera de algum voluntário que resolva penetrá-los de modo a chegar ao coração. Se depois de todas tentativas você não consiguir alcançá-lo, lembre-se que em tempos de “frio” nós precisaremos estar bem juntos para não sucumbirmos. Desta forma, de alguma maneira teremos que descobrir uma fórmula de nos aproximarmos, de tal modo que o calor de nossos corpos seja o suficiente para nos mantermos vivos, independente de nossos espinhos
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