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I-juca Pirama
(Gonçalves Dias)

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Introdução. I-Juca Pirama, traduzido do tupi, equivale em português a àquele que há de ser morto e, como veremos este é o grande tema da obra. Os seus personagens são:
I-Juca Pirama (típico herói romantizado, perfeito, sem mácula que desperta bons sentimentos no homem burguês leitor), o Velho Tupi (simboliza a tradição secular dos índios tupis. É o pai de I ? Juca Pirama), os Timbiras (índios ferozes e canibais) e o Velho Timbira (narrador e personagem ocular da estória).
Tema. O índio adequado a um forte sentimento de honra, simboliza a própria força natural do ameríndio, sua alta cultura acerca de seu povo representado no modo como este acata o rígido código de ética de seu povo. O índio brasileiro é um clone do cavaleiro medieval das novelas européias românticas como as de Walter Scott.
Enredo. O poema nos é apresentado em dez cantos, organizados em forma de composição épico ? dramática. Todos sempre pautam pela apresentação de um índio cujo caráter e heroísmo são salientados a cada instante: (a) Canto I. Apresentação e descrição da tribo dos Timbiras; (b) Canto II. Narra a festa canibalística dos timbiras e a aflição do guerreiro tupi que será sacrificado; (c) Canto III. Apresentação do guerreiro tupi ? I ? Juca Pirama; (d) Canto IV. I- Juca Pirama aprisionado pelos Timbiras declama o seu canto de morte e pede ao Timbiras que deixem-no ir para cuidar do pai alquebrado e cego; (e) Canto V. Ao escutarem o canto de morte do guerreiro tupi, os timbiras entendem ser aquilo um ato de covardia e desse modo desqualificam-no para o sacrifício; (f) Canto VI. O filho volta ao pai que ao pressentir o cheiro de tinta dos timbiras que é específica para o sacrifício desconfia do filho e ambos partem novamente para a tribo dos timbiras para sanarem ato tão vergonhoso para o povo tupi. (g) Canto VII. Sob alegação de que os tupis são fracos, o chefe dos timbiras não permite a consumação do ritual. (h) Canto VIII. O pai envergonhado maldiz o suposto filho covarde. (i) Canto IX. Enraivecido o guerreiro tupi lança o seu grito de guerra e derrota a todos valentemente em nome de sua honra. (j) Canto X. O velho Timbira ( narrador ) rende-se frente ao poder do tupi e diz a célebre frase: "meninos, eu vi".
Um "eu narrador " conta as lembranças de um velho índio Timbira que, também com status de narrador, num clima trágico e lírico, narra a história do último guerreiro tupi I-Juca-Pirama ? remanescente de sua tribo em conjunto ao pai, um velho chefe guerreiro cego e doente. O herói tupi é feito prisioneiro pelos Timbiras, guerreiros canibais. Antes de ser morto, do guerreiro tupi é exigido que entoe o seu canto de morte, cantando seus leitos, sua bravura e suas aventuras, pois a sua coragem de guerreiro e a sua honra - acreditavam os Timbiras ? passariam para todos que, depois do rito de morte, comessem as partes do seu corpo. I-Juca-Pirama conta sua história, fala de sua bravura, das tribos inimigas, das suas andanças, de lutas contra Aimorés, mas, pensando no pai cego e doente, velho e faminto, sem guia, pede que o deixem viver. Seu ato é interpretado como covardia e o chefe dos Timbiras ordene que o soltem e depois de ouvir o guerreiro, ordena-lhe: "És livre; parte". O guerreiro tupi promete-lhe que voltará depois da morte do pai. No canto VI, de volta ao pai, o herói, que foi preparado para o ritual, conversa com o pai cego que sente o cheiro forte das tintas que haviam sido passadas no corpo do prisioneiro.Destarte pergunta ao filho: ? "Tu prisioneiro, tu?". E ao ficar sabendo pelo próprio filho o que acontecera, desconhecendo o verdadeiro motivo de sua volta, o velho leva-o de volta aos Timbiras e o maldiz. O filho reage e resolve mostrar que não é covarde. Grita "Alarma! alarma" o seu grito de guerra. O velho escuta, tomado de súbito pela reação do filho que luta bravamente, golpeando inimigos e destruindo a tribo timbira até que o chefe lhe ordena "Basta!".A honra do herói é então recuperada. Chorou pelo pai o moço guerreiro. E ao ser mal interpretado lutou como um bravo "valente e brioso".
Análise Crítica. A obra é indianista e é muito fácil caracterizar isto pelo léxico utilizado. O poema I?Juca Pirama nos dá uma visão mais próxima do índio, ligado aos seus costumes, convenhamos dizer que ainda é muito idealizado e moldado ao gosto romântico. O índio integrado no ambiente natural, e principalmente adequado a um sentimento de honra, reflete o pensamento ocidental de honra tão típico das novelas de cavalaria medievais. É o caso do texto Rei Arthur e a Távola Redonda.O idealismo, a etnografia fantasiada , as situações desenvolvidas como episódios da grande gesta heróica e trágica da civilização indígena brasileira, a qual sofre a degradação do branco conquistador e colonizador, têm na sua forma e na sua composição reflexos da epopéia. da tragédia clássica e dos romances de gesta da Idade Média. Gonçalves Dias centra I ? Juca Pirama num estado de coisas que ganham uma enorme importância pela inevitável transgressão cometida pelo herói, transgressão de cunho romanesco que quando transposta a literatura gera uma incrível idealização dos estados de alma.



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