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"o Brasil Tem Estilo"
(Waldenyr Caldas)

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O livro faz uma crítica explicita aos rótulos impostos
pela sociedade à moda. Ele questiona o quão pode ser fundamentado o fato de que
a moda é estereotipada como artigo supérfluo, fútil. A moda no Brasil é
responsável um grande fenômeno social, cultural e econômico que vem tomando
conta da sociedade. A autora ressalta que a moda é tão vinculada, ainda hoje,
pelos estereótipos que até o jornalista de moda sofre discriminação para com
seu trabalho, sendo colocado em um patamar inferior aos outros.

                        No
histórico da moda brasileira podemos notar que nossas primeiras influências são
as européias, e posteriormente a moda passar a ter influências
norte-americanas. Tudo começa com a chegada da família imperial de Portugal vem
para o Brasil, vestidos à francesa, dando início a uma nova tendência de moda.
Mesmo com a retirada dos nobres portugueses, perdura a moda européia, tal era
sua influência que mesmo após a Proclamação da República perdura o estilo
europeu de se vestir. E mais do que um estilo, roupas, enxovais importados eram
um sinal de posse que definia as classes sociais, tanto que àqueles que não
tinham condições econômicas de pagar pela moda vinda de Paris restava tentar
fazer as réplicas mais próximas dos últimos modelitos. É curioso citar, que
ainda que todos estivessem debaixo de um sol escaldante, ainda sim as mulheres
desfilavam suas capas de pele, e estavam preparadíssimas para enfrentar um
gélido inverno, com direito até mesmo a neve.

                        Com
o passar do tempo a influência não diminuiu, porém podemos observar que a moda
foi se modificando como resultado de movimentos como a ?Semana de Arte
Moderna?, embora o conservadorismo ainda imperasse nesta época, alguma
tendência começava a ser transitória. Após as crises vividas nos anos 30 fica
claro que mais do que resistir a moda começou a se adaptar a rigidez da época,
o que destaca o fato de que moda é um reflexo do momento em que vivemos.

                        Nos
anos 50, com o aparecimento da televisão e a explosão de um novo estilo de
vida, o ?american way of life? inicia-se uma nova fase no histórico da moda
brasileira, é quando a nossa cultura começa bem discretamente o processo de
adesão à cultura norte-americana. Época dos sonhos que vinham enlatados de
Hollywood, músicas, plumas, sensualidade e sobriedade, tudo vinha ao mesmo
tempo ?made in Hollywood?.

                        Mas
quando se fala na moda propriamente dita nos deparamos ainda com a teia de
preconceitos, para a maioria dos homens, moda ainda é assunto de mulher. Moda,
segundo o dicionário Aurélio é ?o uso, o hábito, o estilo geralmente aceito e
resultante de (...) influência do meio?. A moda é como uma vitrine dos
fenômenos sócio-culturais que vivemos, ela representa o que somos, como somos,
como pensamos, e mais importante, como queremos ser vistos. Embora
estigmatizada como fútil, a moda tem uma razão de ser. Ela se adapta as
transições econômicas, temporais, se adapta até mesmo a comunicação, ela fala,
ela sempre expressa algo.

No século XIX, as mulheres para expressarem sua
seriedade, e exploraram seu caráter intelectual vestiam-se de homem, esse é o
caráter coercitivo da moda, o qual nasce da necessidade de se conquistar uma
posição social.

                        Mas
ela não se restringe apenas ao seu caráter coercitivo, a moda é uma expressão
cultural, através dela podemos localizar até mesmo datas, pois ela reflete
fenômenos comportamentais. Porém quando o assunto é modismo, tudo muda. O
modismo é passageiro, é um reflexo do momento, vem por pequenos grupos ou
subgrupos, pode ser implantado como atitude de rebeldia, ou ousadia, é um curto
tempo.

                        A
maioria dos estilistas, como Walter Rodrigues criticam a falta de incentivo a
moda, que é por sua vez, um grande fenômeno econômico, gerador de milhares de
empregos no Brasil, a indústria da moda está crescendo, mas por estar
estereotipada como supérfluo, não tem apoio, sendo esquecida como geradora de
empregos. Essa relação da moda com economia é mais ampla quando o assunto é
dificuldade de conciliar os custos com a criação, nem sempre as cifras permitem
que a criatividade seja ilimitada, e se manter no topo é uma tarefa árdua que
exige estruturação, e manter sempre os pés no chão.

                        Quando
se fala em moda, outra palavra que surge é estilo ?conjunto de elementos
capazes de criar ou imprimir diferentes graus de valor à criação artística, por
um meio apropriado de expressão. O estilo pode trazer uma ordem imaginativa
sobre a lógica. O estilo também define, distingue, diferencia a fala de uma
época, um modo de fabricação.?, diz o Aurélio. Estilizar é acima de tudo uma
forma de expressão, todo aquele que cria seu próprio estilo dentro de seu
oficio, seja ele qual for, se expressa. Podemos ir mais além, quando pensamos
em estilo como uma maneira do indivíduo conceber a realidade. Quando pensamos,
por exemplo, em um estilista podemos dizer que sua coleção é nada mais do que a
forma como ele concebeu, o interpretou as tendências da moda.

                        O
estilo, assim como a moda, fala, exalta a postura individual, ele exprime o
jeito, os gostos, a personalidade de cada indivíduo, não se resume apenas a
vestir-se, é saber se adaptar as tendências sem torna-se escravo da moda, é
adotar aquilo que lhe agrada e combina com sua personalidade, é ser coerente
consigo mesmo, sem ceder aos apelos de todas as coleções. Devemos ser capazes
de manter nossos próprios gostos, o que pode não ser agradável a todos, mas
certamente satisfaz a nós mesmos.

Continua...



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