1898: Derrota Em Cuba
(Mariano Gonzaléz-Arnao Conde-Luque)
Comandado por António Maceo e Máximo Gomez, o exército popular cubano derrota as forças coloniais e obriga, EM 1897, a coroa espanhola a permitir a organização de um governo autónomo na ilha sob os seus auspícios. O facto não agrada aos E.U.A., que sempre cobiçaram a posse da ilha e quando em Fevereiro/1898 explode, na baía de Havana, um barco de guerra norte-americano, o ?Maine?, encontram o argumento justificativo para culpar os espanhóis e declarar-lhes a guerra que ficará conhecida como hispano-cubano-norte-americana.Em 3/Julho/1898 as esquadras espanhola e norte-americana, comandadas respectivamente pelos almirantes Pascual Cervera e William Sampson, travaram no mar das Caraíbas a batalha naval de Santiago de Cuba. A sorte final desta batalha saldou-se por uma estrondosa e humilhante derrota dos espanhóis que viram a totalidade da sua frota afundada e sofreram pesadíssimas baixas: 383 mortos e 150 feridos. Os americanos registaram 1 morto, 1 ferido e praticamente nenhum dano material. No entanto, não terão sido ?brilhantes? os artilheiros americanos, porque dos cerca de 7.000 disparos efectuados, somente 123 acertaram no alvo, o que terá sido um óptimo rendimento se comparado com o dos espanhóis que só acertaram 20 vezes...Quais teriam sido as causas da derrota, que acabou por obrigar Espanha a aceitar as vergonhosas condições do Tratado de Paris que, entre outras, determinou a anexação de Porto Rico e Guam ao território dos E.U.A. e a ocupação militar de Cuba, iniciando assim, as sistemáticas agressões perpetradas contra este país?A armada de Cervera estava estacionada no arquipélago de Cabo Verde, então colónia portuguesa, quando a 18/Abril/1898 recebeu do ministro da Marinha de Espanha ordens, pouco precisas, de zarpar rumo às Antilhas com o objectivo de proteger a colónia de Porto Rico e apresentar um plano para a sua concretização. Em resposta ao que lhe foi ordenado, Cervera propôs levar a sua armada para a metrópole, mas ante a insistência para que cumprisse a inicial ordem dada pelo ministro da Marinha Segismundo Bermejo, o almirante pediu a demissão do comando, o que mereceu igual recusa.A 19/Maio/1898 a armada espanhola comete o primeiro grande erro ao arribar a Santiago de Cuba, um porto que constituía uma autêntica ratoeira em termos geográficos e estratégicos, porque para lá chegar teve de percorrer um braço de mar com cerca de 6 quilómetros de comprimento por 170 metros de largura, afunilado na entrada e ladeado por duas altas escarpas.Com esta opção, em detrimento de alternativas como as amplas baías de Cienfuegos ou mesmo Havana, ambas ligadas por uma linha de caminho de ferro, adicionada às atitudes antecedentes e subsequentes, fica clara a determinação do almirante Cervera: evitar o confronto com a esquadra norte-americana, ser bloqueado, desembarcar e disponibilizar a sua tripulação ao comandante militar da cidade, general Linares e, em momento oportuno, auto-destruir os seus navios.Por outro lado, o objectivo principal das forças americanas era Havana, ainda que o bloqueio naval imposto pelos invasores fosse pouco efectivo. Tivesse sido este o destino da esquadra espanhola, mesmo correndo o risco de alguma escaramuça, estaria protegida não somente pelas eficientes e poderosas baterias costeiras aí instaladas, mas também por um enorme contingente militar. Com o passar dos dias e por mais de uma vez, Cervera vai tornando evidentes os seus propósitos: recusa de combater e deixar encurralar a sua esquadra. Contra todas as opiniões e planos para abandonar ?aquele funesto buraco em que se havia metido ?, recusava-se sistematicamente a fazê-lo, até que em 26/Maio, a esquadra americana posiciona-se muito próximo da estreita saída com o objectivo de proteger o desembarque de tropas de infantaria do exército para se juntarem às do general Rufus Shafter que, por terra, avançava sobre Santiago após terem tomado as cidades de Daiquiri e Siboney. Inexplicavelmente e para surpresa doalmirante Sampson, as baterias espanholas colocadas em Socapa e Morro permaneceram ?caladas?...Finalmente, a 3/Julho, o almirante espanhol decide zarpar mas, uma vez mais, comete outro tremendo erro: opta por sair às 9 horas da manhã, em plena luz do dia quando a noite antecedente tinha sido escura, pois a lua estava em quarto-minguante.Frontalmente à boca da barra, formando um grande arco, estava a esquadra americana: Vixen, Brooklin, Iowa, Texas, Oregon, Indiana e o Gloucester.E Cervera vai cometer a ?insensatez final?. Um a um, formados em coluna e rumando a Ocidente em vez de mar alto, vai saindo a esquadra espanhola. Primeiro o Maria Teresa que é imediatamente atingido e depois os restantes: Vizcaya, Oquendo, Colón, Plutón e Furor. Esta decisão reduziu a metade, o poder de fogo espanhol. Somente as peças colocadas a estibordo seriam utilizáveis, pois as de bombordo estavam apontadas a terra. Por outro lado e para agravar a situação, o Maria Teresa ao ser atingido obstruiu a rota, provocando o encalhe dos restantes navios enquanto iam recebendo fogo pelos flancos...
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